Com a população vivendo mais, a saúde dos joelhos ganha protagonismo na manutenção da autonomia. “O desgaste natural da cartilagem é esperado com o envelhecimento, mas quando ele se torna acentuado pode levar a dores crônicas, rigidez e até incapacidade”, afirma o ortopedista Dr. Pedro Debieux Vargas Silva. Para ele, “a diferença entre um envelhecimento saudável e um patológico está diretamente ligada aos cuidados adotados ao longo da vida”.
Hábitos que fazem a diferença
Após os 40 anos, a atenção precisa ser redobrada. O controle do peso é decisivo para poupar as articulações. “O excesso de peso é um dos principais inimigos, pois sobrecarrega a articulação: estima-se que cada quilo acima do ideal represente até quatro vezes mais carga sobre o joelho durante atividades como subir escadas. Isso significa que perder 5 quilos pode reduzir em 20 quilos a pressão sobre a articulação”, explica.
Movimentar-se com regularidade também protege o joelho. “Atividades como musculação, pilates, hidroginástica e caminhadas leves ajudam a fortalecer a musculatura que protege o joelho e a melhorar o equilíbrio, reduzindo o risco de quedas”, orienta o especialista.
- · Controlar o peso para aliviar a carga sobre a articulação
- · Praticar exercícios que fortaleçam músculos e melhorem o equilíbrio
- · Manter alimentação equilibrada, rica em cálcio, vitamina D e proteínas
- · Fazer consultas e exames regulares para identificar desgastes precoces

O que há de novo no tratamento
Avanços recentes ampliaram o leque de opções para aliviar dor e retardar a progressão da artrose. Entre eles, as infiltrações com ácido hialurônico, que lubrificam a articulação, e o plasma rico em plaquetas, que utiliza componentes do próprio sangue para estimular a regeneração de tecidos. Pesquisas também investigam o uso de células-tronco, com resultados promissores, embora ainda experimentais.
Mesmo com essas alternativas, o médico faz um alerta: “Embora extremamente promissoras, nenhuma terapia infiltrativa substitui, contudo, hábitos saudáveis de alimentação, exercícios físicos e sono”.
Quando o desgaste é avançado e compromete a qualidade de vida, a prótese de joelho entra em cena. “Nos casos em que o desgaste é avançado e compromete severamente a qualidade de vida, a cirurgia de prótese de joelho é uma alternativa eficaz”, diz o ortopedista. Segundo ele, o procedimento está cada vez mais seguro e com recuperação mais rápida, devolvendo mobilidade a milhares de pacientes — só no Brasil, são mais de 70 mil cirurgias do tipo por ano.
Autonomia em primeiro lugar
No fim das contas, cuidar do joelho é cuidar do futuro. Como resume o especialista: “Manter os joelhos saudáveis após os 50 anos não significa apenas evitar dor: é preservar a autonomia, a capacidade de caminhar, viajar, praticar esportes e aproveitar plenamente a longevidade. O recado da ortopedia é claro: envelhecer não precisa ser sinônimo de perder mobilidade. Com prevenção, hábitos saudáveis e acesso às terapias modernas, é possível viver mais e melhor”.



