A cantora baiana Larissa Luz lança nesta terça, 31 de março, o videoclipe e o single “Você Não Está Sozinha”, escrito por ela. Concebida como um manifesto, a canção inédita parte de uma construção artística autoral, em que linguagem, estética e narrativa se articulam para provocar reflexão, mobilizar consciência e ampliar o debate sobre a urgência do enfrentamento à violência contra a mulher. A faixa estará disponível no Canal Filtr Music Brasil, no Youtube.
Mais do que um lançamento musical, “Você Não Está Sozinha” é um gesto coletivo de resistência e conscientização — uma convocação para que a voz das mulheres siga rompendo o silêncio. Com forte carga simbólica e política, a canção dialoga com a contundência de “Mulher da Vila Matilde”, eternizada por Elza Soares, ao destacar a importância da voz ativa feminina em um cenário de violência estrutural. Larissa Luz assina não apenas a autoria da canção, mas também a roteirização do videoclipe, produzido por uma equipe 100% feminina e gravado no estúdio da Som Livre.
“Mulher, andei pensando em você / E me deu de te dizer / Se te machuca, não é amor / Mulher, não confunda controle com cuidado / Não pense que está exagerado / Seu argumento, sua impressão / Você não está vendo coisa / Quem sabe é quem sente o medo / Você não é fraca, não precisa guardar segredo / Se livre da culpa / Tente me dar um sinal”, diz a letra. O clipe é dirigido por Morgana Souza, com produção executiva de Drica Brandão.

Larissa Luz é cantora, compositora, atriz, poeta e apresentadora. Uma multiartista que iniciou no mercado musical como vocalista da banda Ara Ketu. Um grande destaque em sua carreira foi a interpretação de Elza Soares no premiado musical Elza, de 2018, além do papel de Bibiana na adaptação de Torto Arado, pelo qual recebeu os prêmios APCA e Shell. A artista também apresentou o programa Saia Justa entre 2022 e 2024 e hoje está em turnê com o projeto Rock in Gil, que faz releituras do repertório de Gilberto Gil, dentro do gênero rock.
A própria Larissa Luz faz um grito de alerta. “Quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil, um feminicídio a cada seis horas. Mas antes da estatística, existe o apagamento, a invisibilidade. E talvez essa seja a primeira ruptura. Porque quando o corpo é empurrado para a invisibilidade, a voz pode ser o único instrumento”. A cantora reforça o desejo de existência plena: “Queremos estar presentes, inteiras, com o corpo seguro, com a voz ouvida, sendo vistas, sendo reconhecidas como merecemos”.
Reconhecida por sua trajetória que entrelaça música, ativismo e identidade, Larissa consolidou-se como uma das vozes mais potentes de sua geração. Ex-integrante da banda Ara Ketu, ela construiu carreira solo marcada por trabalhos que abordam questões raciais, de gênero e pertencimento. No teatro, ganhou destaque ao interpretar Elza Soares no musical que celebra a vida da cantora, papel que lhe rendeu ampla aclamação e reforçou sua conexão com o legado de resistência e expressão artística da homenageada.



