Todo mundo já esqueceu alguma coisa no transporte público. Um guarda-chuva, a carteira, o celular. Mas, em São Paulo, essa distração virou número, e alto.
Só em 2025, a Central de Achados e Perdidos da CPTM recebeu 67.236 itens deixados para trás em trens e estações. É o equivalente a 184 objetos encontrados por dia.
A maioria cabe no bolso. Ou quase. Entre os achados estão documentos, celulares e bolsas. Mas também aparecem itens improváveis: violão, andador, carrinho de bebê, cadeira, drone e até dentadura.
Documentos lideram a lista
Dos mais de 67 mil registros, 44.464 eram documentos, carteiras, RGs, cartões e carteiras de trabalho. Outros 22.772 eram objetos variados.
Segundo a equipe, faz sentido: praticamente todo passageiro sai de casa com algum documento, o que facilita tanto a perda quanto a identificação do dono.
Busca ativa aumenta devoluções
Do total, 20.595 itens voltaram para casa. A taxa de devolução chegou a 31%.
Grande parte desse resultado vem de um trabalho silencioso da equipe: a busca ativa. Funcionários cruzam dados, checam papéis, procuram telefones, empresas e qualquer pista que ajude a localizar o proprietário.
“Por meio de uma investigação minuciosa a partir de indícios, conseguimos agilizar a entrega dos itens e fortalecer a confiança dos passageiros”, explica Viviane Citroni Vizioni, chefe do Departamento de Relacionamento com o Passageiro da CPTM.
Em alguns casos, a devolução acontece antes mesmo de a pessoa perceber a perda. Teve passageiro que esqueceu R$ 1.500 em dinheiro com documentos junto, a equipe identificou o local de trabalho, ligou para a empresa e ele retirou tudo no mesmo dia.
Como funciona o serviço
Todos os objetos encontrados nas linhas 7-Rubi, 10-Turquesa, 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade seguem para a central, instalada na estação Palmeiras-Barra Funda.
Os itens ficam guardados por até 60 dias. Nesse período, a equipe tenta localizar o dono.
Depois disso:
– objetos são destinados ao Fundo Social do Estado;
– documentos voltam aos órgãos emissores;
– cartões bancários são destruídos.
O atendimento é de segunda a sexta, das 8h às 16h, exceto feriados. Também dá para consultar pelo telefone 0800 055 0121.
Como evita dor de cabeça
A orientação é simples: perdeu algo no trem, espere dois ou três dias para o item chegar à central e entre em contato.
Pode ser que o objeto já esteja lá. Ou melhor: pode ser que a CPTM já esteja procurando você.
No meio da correria paulistana, é um raro caso em que perder nem sempre significa dar adeus. Às vezes, significa só fazer o caminho de volta.



