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Marcapasso sem fio: o chip do coração que reduz cortes e acelera a recuperação

Uma nova geração de marcapassos vem mudando a rotina de quem precisa de estimulação cardíaca. Conhecidos como marcapassos sem fio, eles são implantados diretamente dentro do coração, sem cabos e sem a tradicional “caixinha” sob a pele.

“Em linguagem simples: o marcapasso sem fio é um chip que fica dentro do coração, sem cicatriz no tórax e sem fios atravessando veias e válvulas”, explica o cardiologista Rodrigo Almeida Souza.

Como funciona

  • É introduzido por um cateter pela veia da virilha até o coração.
  • Fixa-se na parede do ventrículo direito e dispara pulsos quando o ritmo está lento.
  • Tem bateria interna com duração estimada de vários anos, a depender do uso.
  • O acompanhamento é feito por telemetria e consultas regulares.

Na prática, a ausência de fios e da “bolsa” no tórax reduz problemas mecânicos e infecciosos comuns aos sistemas tradicionais, além de favorecer uma recuperação mais rápida e, em muitos casos, alta precoce.

Quem se beneficia mais

  • Pessoas com acesso venoso difícil ou obstruído.
  • Pacientes com histórico de infecção de marcapasso ou risco infeccioso elevado.
  • Quem está em hemodiálise ou já passou por múltiplas cirurgias torácicas.
  • Portadores de cardiopatias congênitas e perfis jovens selecionados, para preservar as veias centrais.
  • Casos que precisam predominantemente de estimulação no ventrículo (perfil unicameral).

Estudos internacionais apontam menos reintervenções ligadas a fios e menor tempo de internação quando o perfil do paciente é bem selecionado.

Foto: Divulgação.

Riscos e cuidados

  • Complicações no acesso pela virilha, como sangramento e hematoma.
  • Perfuração cardíaca e tamponamento (eventos raros, porém graves).
  • Dificuldade de fixação ou necessidade de reposicionamento.
  • Troca futura quando a bateria se esgota; em muitos casos, implanta-se um novo dispositivo e o antigo fica inativo.
  • Compatibilidade com ressonância magnética varia conforme o modelo e deve ser discutida com a equipe.

Apesar dos ganhos, a tecnologia ainda tem limitações. A maioria dos modelos atuais estimula apenas o ventrículo direito. Não é a melhor escolha para quem precisa de estímulo no átrio ou de sincronia entre átrio e ventrículo, exigida em determinados bloqueios ou em estratégias de ressincronização.

“É diferente. Em perfis adequados, reduz complicações de loja e de fios; em outros, o convencional ainda é a melhor escolha. Cada caso é avaliado individualmente”, afirma Souza.

O marcapasso tradicional continua indispensável quando é necessário estimular mais de uma câmara ou quando a prioridade é a ressincronização do coração. Já o sem fio se destaca quando há risco de infecção, dificuldade de acesso venoso ou histórico de complicações com cabos e bolsa subcutânea.

Segundo o cardiologista, a decisão é compartilhada e considera anatomia, risco infeccioso, necessidade de sincronia entre as câmaras, preferências do paciente e experiência do centro implantador.

O futuro próximo inclui versões sem fio capazes de se comunicar entre átrio e ventrículo, baterias mais duráveis, telemonitorização aprimorada e integração com outros dispositivos, como desfibriladores. “Os marcapassos sem fio não substituem todos os marcapassos, mas já são uma realidade consolidada para perfis selecionados”, conclui.

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