Se te perguntassem quem melhor representa o Afropop baiano quem você responderia? Pois Margareth Menezes é a força motriz por trás do que hoje conhecemos como Afropop brasileiro. Com uma voz potente e uma presença de palco avassaladora, ela foi a primeira a internacionalizar o movimento do samba-reggae e dos blocos afro de Salvador de forma maciça.
Músicas como “Faraó (Divindade do Egito)” tornaram-se hinos nacionais que exaltam a ancestralidade africana e a história de resistência dos negros no Brasil. Margareth não apenas canta; ela realiza um movimento de afirmação cultural que coloca a Bahia no centro do mapa pop mundial, fundindo tambores ancestrais com sintetizadores modernos e uma elegância inquestionável.
Confira abaixo:
Sua trajetória é marcada por um profundo compromisso com a base social. Fundadora da Fábrica Cultural, ela trabalha há décadas na capacitação de jovens e na preservação das tradições baianas. Margareth sempre foi uma voz ativa contra a “embranquecimento” do axé music, lutando para que os verdadeiros criadores dos ritmos periféricos fossem reconhecidos e valorizados. Sua indicação como Ministra da Cultura em 2023 é o coroamento de uma vida dedicada à arte como ferramenta de emancipação. Ela representa a mulher negra que, com talento e resiliência, ocupa os espaços de poder para garantir que a diversidade brasileira seja respeitada e fomentada.
O legado de Margareth Menezes é a celebração da alegria como forma de resistência. Ela nos ensinou que cantar sobre deuses egípcios ou sobre o cotidiano de Salvador é uma forma de retomar uma narrativa que nos foi roubada. Sua música é uma festa, mas é também um manifesto de orgulho e identidade. Ao ouvir Margareth, somos convocados a dançar, mas também a refletir sobre a força de uma cultura que se recusa a ser silenciada. Ela permanece como a rainha do afropop, lembrando-nos que o futuro do Brasil passa, necessariamente, pelo reconhecimento e pela valorização de suas raízes africanas.



