McKinsey acaba de publicar sete mitos que estão travando o crescimento das empresas na era da IA

Acho que faltou o oitavo. E talvez seja o mais perigoso: Achar que entender os sete já muda alguma coisa. A lista é boa.

IA não serve apenas para produtividade.
Não basta encaixá-la nos processos atuais.
Transformação não deveria ser assunto exclusivo da tecnologia.
E ninguém precisa esperar os dados ficarem perfeitos para começar. Até porque, nesse ritmo, algumas empresas começam em 2047.

Mas uma frase do estudo me chamou mais atenção do que a lista inteira:

As empresas que estão avançando estão diminuindo a distância entre sinal, decisão e ação.

Aí a conversa muda.

Passamos muito tempo discutindo onde colocar IA.

Talvez a pergunta mais interessante seja outra:

Onde ainda estamos decidindo exatamente como decidíamos antes dela?

Porque uma empresa pode comprar ferramentas, criar pilotos, treinar equipes e automatizar uma infinidade de tarefas.

Pode até fazer uma apresentação muito bonita sobre transformação.

E continuar tomando as decisões importantes do mesmo jeito.

Esse é o ponto.

As empresas que estão extraindo mais resultado da IA não estão simplesmente colocando tecnologia em cima do que já faziam. Estão mexendo na forma como trabalham, escolhem prioridades e decidem.

Por isso, eu trocaria uma das perguntas mais repetidas hoje:

“Onde podemos usar IA?”

Por outra, bem mais desconfortável:

“Qual decisão comercial importante ainda tomamos do mesmo jeito que há cinco anos?”

Pode ser preço.
Uma oferta.
O cliente que merece atenção.
A próxima ação de vendas.
Onde colocar a verba de marketing.

Escolha uma dessas decisões e observe como ela acontece hoje.

Quanto tempo leva para um sinal virar ação?
Que informação realmente entra na decisão?
E o que ainda depende daquele famoso “eu conheço meu mercado”, parente próximo do “sempre fizemos assim”?

É aí que a IA começa a ficar realmente interessante.

Fazer mais rápido o que já fazemos melhora produtividade.

Decidir melhor, mais rápido e até com mais frequência pode mudar o negócio.

Os sete mitos da McKinsey ajudam a enxergar onde estamos errando.

Mas o oitavo é o que separa diagnóstico de mudança:

achar que entender o problema já significa ter mudado alguma coisa.

IA não muda uma empresa quando entra no processo.

Muda quando começa a mudar a decisão.

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