A menopausa costuma ser resumida aos calorões, mas o que acontece no corpo feminino nessa fase pode ser bem mais amplo, especialmente para quem vive muitos anos após o fim da menstruação. “Hoje com o aumento da espectativa de vida, muitas mulheres vivem décadas em pós-menopausa, uma fase da vida tão longa quanto relevante”, escreve a médica Julianne Pessequillo.
Do ponto de vista biológico, a menopausa marca o fim da fase reprodutiva: ocorre quando os ovários deixam de liberar óvulos e há queda permanente de hormônios como o estrogênio. “Tecnicamente, considera-se que a menopausa aconteceu depois de 12 meses consecutivos sem menstruação, desde que não haja outra causa clínica”, explica a médica. Antes disso, vem o climatério, quando os ciclos ficam irregulares e os primeiros sintomas podem surgir.
Para a especialista, olhar para a menopausa como “mais uma idade” pode minimizar o impacto real da transição. “Os efeitos da menopausa vão muito além dos sintomas tradicionais como o calorão”, afirma. A queda do estrogênio, segundo ela, se associa a mudanças no metabolismo, na sexualidade e na saúde íntima, além de elevar riscos cardiovasculares e acelerar a perda de massa óssea.

O que muda no corpo e na mente
As transformações podem afetar diferentes sistemas do corpo e também o bem-estar emocional e cognitivo. A médica ressalta que “não existe ‘menopausa igual para todas’”, e que a intensidade varia de mulher para mulher.
Entre sintomas e efeitos citados no artigo estão:
- · ondas de calor e suores noturnos, com sensação súbita de calor, rubor no rosto e palpitações;
- · irritabilidade, alterações emocionais e dificuldades cognitivas, muitas vezes ligadas também ao sono ruim;
- · insônia e cansaço excessivo, com despertares frequentes;
- · secura vaginal, dor na relação e possível queda da libido;
- · perda acelerada de massa óssea, aumentando risco de osteoporose e fraturas;
- · ganho de peso, especialmente na região abdominal;
- · ressecamento de pele e mucosas e enfraquecimento de cabelos e unhas;
- · mudanças no metabolismo cardiovascular, com aumento do colesterol ruim e do risco de hipertensão e infarto.
Na avaliação da geriatra, esse conjunto de mudanças pode impactar “a qualidade de vida, bem-estar psicológico, sexualidade, autoestima, e a funcionalidade no dia a dia”. Por isso, ela defende que a menopausa seja encarada como um momento de reavaliação de saúde mais amplo, e não apenas ginecológico.
Como buscar alívio e preservar a qualidade de vida
A orientação central do artigo é não normalizar sofrimento. “Quando uma mulher entra no climatério e na menopausa, não basta reconhecer os sintomas, é essencial buscar acompanhamento profissional, para avaliar sintomas, exames e estratégias de cuidado”, diz a médica.
As recomendações incluem:
- · ajustes no estilo de vida, com alimentação equilibrada, suplementações quando necessárias e atividade física regular;
- · avaliação do perfil hormonal e cardiometabólico e da saúde óssea, além dos exames ginecológicos de rotina;
- · cuidados com sono e estresse e evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool;
- · terapias complementares, como mindfulness e psicoterapia.
Em alguns casos, pode haver indicação de terapia hormonal, sempre com avaliação individual e monitoramento. A médica afirma que, “quando bem indicada, essa terapia pode reduzir desconfortos e prevenir riscos ósseos e cardiometabólicos”.
Informação e acolhimento também são tratamento
O texto também chama atenção para barreiras sociais que impedem mulheres de buscar ajuda, como a ideia de que é preciso “aguentar” os sintomas ou o estigma que associa a menopausa a perda de vitalidade. Para a especialista, acolher é parte do cuidado: “Acolher significa ouvir sem julgar, validar a experiência da mulher e oferecer apoio prático e emocional”.
Ao final, ela reforça que a menopausa não precisa ser sinônimo de perda de bem-estar. “A menopausa não é o fim: é a fase que mais exige cuidado, apoio e informação”, conclui.



