Morre Angela Ro Ro, a voz franca que fez da canção um lugar de coragem

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A música brasileira se despede de Ângela Ro Ro, morta nesta segunda-feira, 8 de setembro de 2025, aos 75 anos, no Rio de Janeiro. A artista estava internada desde junho no Hospital Silvestre e, após complicações de uma infecção pulmonar e uma traqueostomia, sofreu uma parada cardíaca, segundo publicações da imprensa.

Nascida Ângela Maria Diniz Gonçalves em 5 de dezembro de 1949, no Rio, Ro Ro estreou em 1979 com um álbum homônimo que se tornou referência — disco incluído pela Rolling Stone Brasil entre os 100 maiores da música brasileira. Sua assinatura reuniu voz rouca, piano, humor cortante e um romantismo sem verniz, filtrado por blues, bolero e samba-canção.

Autora e intérprete, deixou um repertório de canções que atravessaram gerações: “Amor, Meu Grande Amor” (parceria com Ana Terra), “Gota de Sangue”, “Tola Foi Você”, “A mim e a mais ninguém” e “Escândalo!” formam o núcleo duro de uma obra que ampliou o vocabulário sentimental da MPB sem perder o coloquial elegante.

Ângela foi também pioneira ao se assumir lésbica em um meio historicamente conservador — posição que ela viveu com franqueza pública e custo pessoal, mas que a consolidou como referência de liberdade artística e cidadania. Sua trajetória recente voltou a ser celebrada por projetos de memória e perfis que sublinham esse papel histórico.

Entre palcos e estúdio, Ro Ro cultivou a rara combinação de popularidade e autoria: escreveu, escolheu arranjadores, conduziu repertório e, sobretudo, interpretou como quem conversa — respirando o verso, alongando sílabas, alternando ironia e ternura. Por isso, suas gravações seguem soando atuais: porque falam de afeto, desejo, perda e recomeço com a coragem de quem não negocia a própria linguagem. (Veja, UOL e outros veículos confirmaram a morte e o histórico recente de internação.)

Fica a obra — vasta, regravada e disponível nas plataformas — e o exemplo de uma artista que transformou vulnerabilidade em estética e franqueza em estilo. Ângela Ro Ro permanece como uma das vozes mais singulares da canção brasileira: quando ela cantava, a verdade vinha junto.

Angela Ro Ro — Foto: Murilo Alvesso

Angela Ro Ro — Foto: Murilo Alvesso.

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