O bailarino e coreógrafo Décio Otero, de 92 anos, faleceu na noite desta segunda-feira (28), em São Paulo. Fundador do Ballet Stagium, um dos grupos mais relevantes da dança brasileira, Otero teve sua morte anunciada nas redes sociais da companhia, que lamentou a perda do “maestro”.
Em nota, o grupo destacou a sensibilidade e o amor do artista, que criou mais de 80 “obras-primas” e transformou a dança em linguagem de memória e resistência. O portal especializado Mud também homenageou o artista, classificando sua trajetória como uma junção de arte, política e formação cultural.
Nascido em Ubá (MG) em 15 de julho de 1933, Décio iniciou sua formação em dança em 1951, no Ballet de Minas Gerais. Ao longo das décadas seguintes, brilhou como solista em companhias renomadas, como o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e o Ballet du Grand Théâtre de Genève, na Suíça. Ainda nos anos 1960, atuou em companhias da Alemanha e participou do musical King, na Dinamarca. Em 1970, retornou ao Brasil e fundou o Ballet Stagium ao lado de sua companheira Marika Gidali, consolidando uma proposta artística ligada à cultura brasileira e ao pensamento crítico.
Além das coreografias marcantes, Otero foi um educador e formador de gerações de artistas, tendo participado de programas de televisão e criado espetáculos que abordavam temas sociais e históricos do Brasil. Sua carreira foi reconhecida com diversos prêmios, como o Governador do Estado de São Paulo, a Ordem do Mérito Cultural do DF e quatro troféus da APCA. Seu legado permanece vivo no palco e na memória da dança nacional.


