Casos recentes noticiados na mídia, incluindo mortes súbitas em jovens e atletas, voltaram a chamar atenção para um tema que sempre gera a mesma pergunta: por quê?
A sensação é de algo inesperado. A frase mais comum é “não tinha nada”. Mas, na prática, muitas vezes existia sim uma condição por trás, ainda não diagnosticada.
Outro ponto que confunde é a forma como isso aparece nos laudos e nas notícias. “Parada cardiorrespiratória” não é causa de morte. Toda morte evolui assim. O essencial é entender o que levou a esse desfecho.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registra cerca de 300 mil casos por ano. Na maioria das situações, a origem é cardíaca, geralmente por arritmias graves.
Abaixo dos 35 anos:
Nessa faixa etária, o mais comum são doenças do próprio coração ou alterações genéticas que aumentam o risco de arritmias graves.
Entre as principais causas:
- Miocardiopatia hipertrófica
- Anomalias das artérias coronárias
- Síndrome de Brugada
- Displasia arritmogênica do ventrículo direito
- Síndrome do QT longo
Muitas dessas doenças podem não dar sinais claros antes de um evento mais grave.
Alguns fatores podem funcionar como gatilho, mesmo em quem parece saudável:
- Uso de anabolizantes
- Drogas ilícitas
Depois dos 35 anos: muda o padrão
A principal causa passa a ser a doença coronariana, o infarto agudo do miocárdio.
E aqui está um ponto importante: os fatores de risco são silenciosos.
- Colesterol alto
- Tabagismo
- Hipertensão arterial
- Diabetes mellitus
- Obesidade
Na maioria das vezes, não causam sintomas.
Quem vê cara, não vê o coração literalmente.
Fake news também entram nessa história
Em momentos como esses, é comum surgirem associações equivocadas.
Uma delas é a idéia de que morte súbita ou infarto teriam relação com vacinação. Isso não procede.
Não existe evidência de que vacinas causem morte súbita em jovens.
Pelo contrário, a vacinação faz parte da prevenção em saúde e também tem impacto cardiovascular.
A Sociedade Europeia de Cardiologia inclui a vacinação como o quarto pilar da prevenção cardiovascular, ao lado do controle da hipertensão arterial, do colesterol e do diabetes.
A recomendação envolve principalmente a imunização contra:
- Gripe
- Covid-19
- Pneumonia
- Herpes zoster
Infecções aumentam inflamação, descompensam doenças crônicas e podem precipitar eventos cardiovasculares. Prevenir essas infecções também é proteger o coração.
Nem toda parada cardiorrespiratória é morte A parada cardiorrespiratória pode ser reversível.
Quando o atendimento é rápido, com reanimação cardiopulmonar e uso do desfibrilador, existe chance de reversão.
A cada 1minuto sem atendimento, a chance de sobrevida cai cerca de 10%, em 10 minutos pode ser fatal.
Por isso, treinamento da população e acesso a desfibriladores em locais públicos fazem diferença.
O que pode mudar esse cenário
Histórico familiar, sintomas como desmaio, palpitação ou dor no peito precisam ser valorizados.
A avaliação cardiológica, principalmente antes de atividade física, é fundamental.
Morte súbita em jovens assusta, mas na maioria das vezes não acontece sem motivo.
E tem um ponto importante:
isso pode ser prevenido.
Cuidar da saúde, investigar fatores de risco e fazer acompanhamento muda a história. E pode começar hoje.
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