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Muito além da TV: 9 livros de Jô Soares para você conhecer

Se não tivesse nos deixado em agosto de 2022, Jô Soares completaria 88 anos neste 16 de janeiro. 

Por muito tempo, o Brasil se acostumou a pensar em a partir da televisão. O humorista genial, o entrevistador sofisticado, o comunicador capaz de ouvir com inteligência e curiosidade genuína – tudo isso construiu um dos personagens mais emblemáticos da cultura brasileira. 

Mas reduzir Jô Soares à TV é esquecer que sua obra transbordou linguagens. No teatro, no cinema, na música e, especialmente, nos livros, deixou uma produção sólida, ambiciosa e surpreendente.

Nascido José Eugênio Soares, no Rio de Janeiro, cresceu em um ambiente marcado pela cultura e pelo incentivo intelectual. Filho único de um empresário paraibano e uma dona de casa, quando criança queria seguir carreira diplomática. Estudou no colégio Colégio São José de Petrópolis, e depois também um ano nos Estados Unidos e cinco anos em Lausana, na Suíça, com este objetivo.

Em seus estudos, teve contato direto com diferentes idiomas, referências artísticas e tradições culturais, uma formação que seria fundamental para a sofisticação e a ampliação do repertório de seu humor e de sua escrita.

Antes de se tornar artista, Jô Soares chegou a considerar a carreira diplomática, mas o talento para a comunicação falou mais alto. Nos anos 1950, iniciou sua trajetória artística no teatro e logo migrou para a televisão, onde se tornaria um dos grandes nomes do humor brasileiro. 

Jô Soares em 1972, na Rede Globo | Imagem: Reprodução / TV Globo

Programas como “Família Trapo”; “Faça Humor, Não Faça Guerra”; “Viva o Gordo” e, mais tarde, “O Programa do Jô”, redefiniram o humor e o formato de entrevistas no país, sempre combinando ironia, inteligência e profundo interesse pelo outro.

Paralelamente à televisão, construiu uma carreira literária respeitada, especialmente a partir dos anos 1990. Seus livros revelam um autor atento à história do Brasil, fascinado por personagens excêntricos e profundamente interessado em brincar com gêneros narrativos – do romance policial à sátira histórica, passando pela crônica, pela memória e pelo humor mais afiado. 

Também consolidado como escritor, Jô Soares deixou uma bibliografia que já vendeu 1,5 milhão de exemplares no Brasil, ganhando traduções em vários países como EUA, Japão, Argentina, Itália e França.

Seus livros ampliam o olhar sobre o Brasil, sobre a história e sobre nós mesmos. Muito além da TV, foi – e segue sendo – um grande narrador da experiência brasileira, daqueles que transformam riso em pensamento e entretenimento em memória cultural.

Múltiplo, além de apresentar, atuar, dirigir, escrever roteiros, livros e peças de teatro, também foi um apreciador de jazz e chegou a apresentar um programa de rádio na extinta Jornal do Brasil AM, no Rio de Janeiro, além de uma experiência na também extinta Antena 1 Rio de Janeiro.

A seguir, fizemos uma seleção de nove livros fundamentais para conhecer esse outro lado – menos divulgado, mas igualmente brilhante – de Jô Soares.

Jô Soares apresentando o “Programa do Jô”, na TV Globo – Foto: Globo / Ramón Vasconcelos

9 Livros escritos por Jô Soares para você conhecer

1 –  O Astronauta sem Regime (1983)

Primeira incursão literária de , este livro reúne contos curtos e textos humorísticos que dialogam diretamente com sua persona televisiva. Aqui, o autor exercita o absurdo, o nonsense e a crítica de costumes, revelando um escritor já interessado em subverter expectativas e rir das contradições humanas. É um ponto de partida curioso para entender como o humor de Jô Soares começou a migrar da oralidade para a página.

2 – O Humor nos Tempos do Collor (1992)

Em parceria com Millôr Fernandes e Luís Fernando Veríssimo, assina esta coletânea que funciona como um retrato ácido e irônico do Brasil do início dos anos 1990. Entre crônicas e reflexões bem-humoradas, o livro registra um período turbulento da política nacional, mostrando como o humor também pode ser uma poderosa ferramenta de leitura crítica da realidade.

3 – A Copa que Ninguém Viu e a que Não Queremos Lembrar (1994)

Aqui, Jô Soares se une a Armando Nogueira e Roberto Muylaert para revisitar duas Copas do Mundo traumáticas para o futebol brasileiro: 1950 e 1954. Mais do que falar de futebol, o livro trata de memória, frustração coletiva e identidade nacional, equilibrando melancolia e ironia: duas marcas profundas da escrita de Jô.

4 – O Xangô de Baker Street (1995)

Este é, sem dúvida, o livro mais popular de Jô Soares. Um romance engenhoso que mistura ficção histórica, romance policial e comédia, ao imaginar Sherlock Holmes no Brasil do século XIX, durante o período Imperial. A partir dessa premissa inusitada, constrói uma narrativa que ironiza o Brasil, o colonialismo cultural e os próprios clichês do gênero policial. O sucesso foi imediato e internacional, consolidando Jô Soares como romancista.

5 – O Homem que Matou Getúlio Vargas (1998)

Neste romance, brinca com um dos episódios mais emblemáticos da história brasileira. A partir de um personagem fictício e atrapalhado, contratado para matar Getúlio Vargas, o autor cria uma narrativa que mistura sátira política, humor e crítica social. O resultado é um livro que provoca riso e desconforto, ao questionar versões oficiais da história e a construção dos mitos nacionais.

6 – Assassinatos na Academia Brasileira de Letras (2005)

Ambientado no Rio de Janeiro dos anos 1920, este romance policial tem como pano de fundo a própria Academia Brasileira de Letras, transformada em cenário de uma série de assassinatos. Com personagens caricatos e diálogos afiados, Jô Soares constrói uma crítica bem-humorada às elites intelectuais, à vaidade literária e às estruturas de poder simbólico no Brasil.

7 – As Esganadas (2011)

Neste livro, retorna ao romance policial com uma narrativa mais sombria e violenta. Ambientado durante o Estado Novo, o livro acompanha crimes brutais cometidos contra mulheres, tratando de temas como misoginia, repressão política e hipocrisia social. O humor continua presente, mas de forma mais amarga, revelando um escritor mais crítico e desencantado com o mundo.

8 –  O Livro de Jô – Uma Biografia Desautorizada (Volume 1, 2017)

No primeiro volume de suas memórias, escritas em parceria com Matinas Suzuki Jr., Jô Soares revisita sua infância, juventude e início da carreira artística. Com franqueza, afeto e ironia, ele compartilha histórias familiares, descobertas pessoais e os primeiros passos no humor, oferecendo ao leitor um retrato íntimo e humano por trás do personagem público.

9 –  O Livro de Jô – Uma Biografia Desautorizada (Volume 2, 2017)

O segundo volume aprofunda sua trajetória profissional, os anos de consagração na televisão, as amizades marcantes e também as dores pessoais. É um livro mais reflexivo, em que Jô Soares comenta o Brasil, a fama, a solidão e o envelhecimento, sempre com inteligência emocional e senso de humor – marcas que definiram sua vida e obra.

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