Você já ouviu falar em fígado gorduroso? A condição, conhecida como esteatose hepática, atinge milhões de pessoas em todo o mundo e, apesar de muitas vezes assintomática, pode trazer complicações sérias se não for tratada. Acúmulo de gordura no fígado, alterações nas funções hepáticas e risco aumentado de doenças cardiovasculares são apenas alguns dos impactos que esse problema pode trazer.
“Nos estágios iniciais, a doença costuma não apresentar sintomas, o que leva muitas pessoas a ignorá-la. Mas quando negligenciada, pode evoluir para quadros muito graves, como esteato-hepatite, cirrose e até câncer de fígado”, alerta o Dr. Rodrigo Souza, cardiologista.
O que é e por que ocorre?
A esteatose hepática é caracterizada pelo acúmulo de gordura nas células do fígado. Ela pode ser causada por excesso de álcool (esteatose alcoólica), mas a maioria dos casos não está relacionada ao consumo de bebidas, e sim a fatores como má alimentação, sedentarismo, obesidade, diabetes e hipertensão.
Embora alguns pacientes relatem fadiga, perda de apetite ou dor abdominal, a maioria não apresenta sintomas. O diagnóstico é feito por meio de exames laboratoriais e de imagem. “A ultrassonografia costuma ser o primeiro passo. Em casos mais avançados, pode ser necessária a elastografia ou até biópsia para avaliar o grau de fibrose hepática”, explica o médico.
Como tratar e prevenir
A boa notícia é que a esteatose hepática pode ser revertida, especialmente quando diagnosticada precocemente. A principal estratégia está na mudança do estilo de vida. “A perda de apenas 5% a 10% do peso corporal já promove uma melhora significativa. Alimentação equilibrada, exercícios físicos regulares e controle de doenças associadas são fundamentais”, afirma Dr. Rodrigo.
Além disso, em casos selecionados, medicamentos podem ser utilizados para controlar a gordura no sangue e reduzir inflamações. No entanto, ele reforça: “Não existe remédio milagroso. O tratamento eficaz começa na mudança de hábitos.”

Mitos e verdades que você precisa saber
Muitos ainda acreditam que o fígado gorduroso só afeta quem consome álcool em excesso ou que basta parar de beber para resolver o problema. Outros acham que a condição é inofensiva por não causar dor. Tudo isso é mito. “Crianças e adolescentes também podem desenvolver esteatose, especialmente os que têm obesidade ou resistência à insulina”, pontua o cardiologista.
A esteatose hepática, portanto, não é uma simples “gordurinha” e merece atenção. Adotar uma rotina mais saudável, consultar o médico regularmente e realizar exames preventivos são passos fundamentais para manter a saúde do fígado e do organismo como um todo.



