Natação e hidroginástica podem ajudar a reabilitar o coração após doença coronariana

A natação e outras atividades aquáticas vêm ganhando espaço como opção de reabilitação para pessoas com doença arterial coronariana, condição em que as artérias do coração ficam estreitadas e aumentam o risco de infarto e outros eventos.

Uma pesquisa internacional acompanhou pacientes após um episódio coronariano recente e encontrou sinais de melhora em um indicador importante da saúde cardiovascular: a variabilidade da frequência cardíaca.

A cardiologista Manuela Gomes de Aguiar explica que esse índice ajuda a mostrar como o organismo regula os batimentos ao longo do dia. “Quanto maior a variabilidade da frequência cardíaca, melhor tende a ser a capacidade do coração de se adaptar ao estresse e se recuperar”, afirma.

Na prática, esse marcador reflete o equilíbrio entre dois “modos” de funcionamento do sistema nervoso: um que acelera o corpo em situações de alerta e outro que ajuda a desacelerar e recuperar. Quando a variabilidade fica baixa, isso pode indicar menor flexibilidade do coração para lidar com esforços e tensões do dia a dia.

O que o estudo observou

Os pesquisadores compararam programas de exercícios realizados na água e em solo em pessoas que haviam passado recentemente por um evento coronariano. Ao longo de 14 dias, foram monitorados parâmetros fisiológicos, com atenção especial à variabilidade da frequência cardíaca.

O resultado apontou que o treino aquático, além de seguro dentro de um contexto de reabilitação, esteve associado a mudanças positivas nesse marcador. O trabalho também chama atenção por ser um dos maiores a colocar lado a lado, nesse perfil de paciente, exercícios aquáticos e terrestres.

Para a especialista, os achados reforçam um ponto importante da reabilitação: não se trata apenas de “voltar a se exercitar”, mas de recuperar condicionamento com segurança e monitoramento. “A atividade física precisa fazer parte de um programa estruturado, com avaliação e acompanhamento”, destaca a cardiologista.

Foto: Divulgação.

Por que a água pode facilitar o exercício

Parte da explicação está nas características do ambiente aquático. A pressão da água sobre o corpo pode favorecer o retorno do sangue ao coração e ajudar a circulação. Além disso, a flutuação diminui o impacto nas articulações, o que tende a reduzir desconfortos e facilitar movimentos, um ponto relevante para quem tem limitações físicas ou está retomando o condicionamento após um evento cardíaco.

Outro fator é a resistência constante da água, que exige esforço muscular contínuo, mas de forma mais distribuída e geralmente com menor risco de sobrecarga articular do que alguns treinos em solo.

Cuidados antes de entrar na piscina

Apesar dos benefícios, especialistas reforçam que pacientes com doença coronariana não devem iniciar natação ou hidroginástica por conta própria, especialmente após um evento recente. A reabilitação cardiopulmonar costuma envolver avaliação médica, definição de intensidade adequada e acompanhamento de profissionais capacitados para observar sinais como falta de ar, tontura, dor no peito e palpitações.

“O exercício é um aliado, mas precisa ser bem indicado e bem monitorado. Com orientação, a água pode ser uma excelente alternativa para ganhar condicionamento com mais conforto”, alerta a especialista.

Além dos possíveis ganhos físicos, programas supervisionados de atividade aquática também podem favorecer a adesão por serem percebidos como mais confortáveis, o que ajuda a manter a regularidade, fator central para resultados consistentes na reabilitação.

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