A obesidade é uma doença crônica com impacto direto na saúde do coração. Está associada a hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, apnéia do sono, síndrome metabólica, insuficiência cardíaca e aumenta de forma contínua o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Perder peso faz diferença: cada quilo a menos pode ajudar, mas a ciência mostra que uma perda igual ou superior a 10% do peso corporal está diretamente relacionada à redução do risco de infarto e AVC. Esse dado vem de grandes estudos como o Look AHEAD Trial (Lancet Diabetes Endocrinol, 2016).
Mais recentemente, o Estudo SELECT (NEJM 2023) acompanhou mais de 17 mil pessoas com sobrepeso ou obesidade e doença cardiovascular, mas sem diabetes. O uso da semaglutida 2,4 mg/semana resultou em 20% menos eventos cardiovasculares maiores – incluindo infarto, AVC e morte de causa cardíaca.
O tratamento da obesidade envolve mudanças no estilo de vida:
• Alimentação balanceada com menos ultraprocessados e mais fibras e proteínas magras.
• Exercícios físicos: pelo menos 150 minutos por semana de atividade aeróbica combinada com fortalecimento muscular.
• Sono reparador: entre 7 e 9 horas por noite.
• Medicações, quando indicadas pelo médico.
Entre as opções atuais, os análogos de GLP-1 (como semaglutida e tirzepatida) se destacam por promoverem perda de peso média de 10 a 20%, além de melhorarem glicemia, colesterol e inflamação, com especial benefício em pessoas de alto risco cardiovascular.
Ferramentas modernas de estratificação, como o Prevent Score, ajudam a calcular e acompanhar o risco cardiovascular ao longo do tempo, reforçando que o risco é contínuo e não se limita apenas a quem já teve eventos cardíacos.
A mensagem é clara: tratar a obesidade é também prevenir doenças do coração. O cuidado vai muito além da estética e representa um investimento direto em saúde, qualidade de vida e longevidade



