Olhos e pele amarelados em recém-nascidos: quando é esperado e quando é alerta

Novabrasil
Novabrasil
Somos uma emissora que privilegia a MPB como alicerce de nossa programação, creditando ao estilo musical sua devida importância como um dos maiores patrimônios brasileiros. Nos colocamos como uma solução multiplataforma que foca em conteúdo para engajar a audiência e aproximá-las de maneira relevante e pertinente das marcas. A Novabrasil faz parte do Grupo Thathi, conglomerado de comunicação que conta com o Portal TH+, além de emissoras de rádio e televisão em mais de 400 cidades de várias regiões do país.

Ver o bebê com a pele e o “branco dos olhos” amarelados nos primeiros dias após o parto assusta muitas famílias. Esse quadro, conhecido como icterícia, é frequente e, na maioria das vezes, faz parte do processo de adaptação do recém-nascido. Ainda assim, em menos casos, pode ser o primeiro sinal de uma doença séria do fígado.

A gastropediatra Aline Falleiros de Freitas explica que a icterícia acontece quando há aumento de bilirrubina no sangue, uma substância produzida naturalmente durante a renovação das células. “O organismo do bebê ainda está amadurecendo a capacidade de processar essa substância, e isso pode deixar a pele e os olhos amarelados”, afirma.

O amarelão aparece em grande parte dos recém-nascidos, inclusive em bebês prematuros, especialmente na primeira semana de vida. Em geral, quando é um fenômeno esperado, a icterícia surge após as primeiras 24 horas, costuma atingir seu pico entre o quarto e o quinto dia e melhora ao redor do sétimo dia.

Apesar de ser comum, a avaliação do pediatra é importante para decidir se há necessidade de exames e, em alguns casos, de fototerapia — tratamento com uma luz específica para reduzir os níveis de bilirrubina. Situações como icterícia nas primeiras 24 horas de vida ou incompatibilidade sanguínea entre mãe e bebê podem exigir investigação ainda na maternidade.

Além da adaptação normal, há causas consideradas benignas, como a icterícia relacionada ao leite materno. Outras situações também podem elevar a bilirrubina, como a reabsorção de grandes hematomas (por exemplo, um inchaço com sangramento sob a pele na região da cabeça), a prematuridade e o diabetes materno. Alterações da tireoide e algumas condições genéticas também podem estar por trás do amarelão, o que reforça a importância do acompanhamento médico na primeira semana após o nascimento.

Sinais que exigem atenção imediata

O ponto mais importante para diferenciar a icterícia comum de um possível problema no fígado nem sempre é “o quanto” o bebê está amarelo. O principal alerta pode estar na fralda.

“O sinal mais importante é a cor das fezes”, alerta Freitas. Fezes muito claras ou esbranquiçadas, descritas como cor de massa de vidraceiro, podem indicar falta de bile no intestino — algo que precisa ser investigado com urgência.

Também acendem o sinal de alerta:

  • · Fezes muito claras ou brancas;
  • · Urina muito escura;
  • · Icterícia que persiste por mais de duas semanas, já que deixa de ser considerada fisiológica.
  • Segundo a especialista, é possível que um bebê com doença hepática não seja o que aparenta estar mais amarelo. “Muitas vezes, o principal sinal está na cor das fezes e da urina”, destaca.
Foto: Freepik.

Cartela de cores das fezes ajuda famílias a identificar risco

Desde 2017, a Sociedade Brasileira de Pediatria promove a campanha “Alerta Amarelo”, que orienta pais e profissionais a observar a cor das fezes do bebê. A ideia é facilitar a identificação de fezes anormalmente claras, que podem estar associadas a doenças graves do fígado.

Entre os quadros que podem estar por trás da icterícia relacionada ao fígado (icterícia colestática), a frequência é considerada bem menor do que a icterícia fisiológica. Mesmo assim, por ser potencialmente grave, a orientação é não minimizar sinais como fezes claras e urina escura.

Algumas doenças, como a atresia de vias biliares, têm melhores resultados quando diagnosticadas e tratadas cedo. A gastropediatra ressalta que o tempo faz diferença: “Reconhecer os sinais precocemente pode mudar o futuro da criança”. Em casos suspeitos, o objetivo é confirmar o diagnóstico o quanto antes, idealmente ainda nos primeiros meses de vida, porque a chance de preservar o próprio fígado pode ser maior com tratamento no tempo adequado. Quando o diagnóstico é tardio, aumenta o risco de evolução para necessidade de transplante.

No dia a dia, cabe ao pediatra identificar precocemente quando a icterícia foge do esperado e, se houver suspeita de alteração no fígado, encaminhar para avaliação especializada em gastroenterologia pediátrica.

Para as famílias, a recomendação é simples e prática: além de acompanhar a cor da pele e dos olhos, observar fraldas e procurar assistência médica sem demora se surgirem fezes muito claras, urina escura ou amarelão que não melhora após duas semanas.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS