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Os 5 últimos livros de Fernanda Young

Fernanda Young partiu cedo demais. Mas partiu deixando um legado imensurável para a cultura brasileira: escritora, roteirista, apresentadora, atriz e diretora, ela assinou filmes, peças de teatro, seriados de televisão e apresentou programas diversos.

Na literatura, sua obra é extensa: foram 15 livros até 2019, ano em que nos deixou inesperadamente aos 49 anos, vítima de uma parada respiratória, que causou uma parada cardíaca.

Hoje, vamos conhecer os últimos livros publicados por Fernanda Young.

Tudo sobre Fernanda Young  

Fernanda Young nasceu em Niterói e sua formação literária foi em parte constituída durante as leituras na travessia da Baía de Guanabara em barcas ou ônibus, para chegar até o Rio de Janeiro.

Em 1995, estreou como autora no seriado “A Comédia da Vida Privada”, da TV Globo. No ano seguinte, Fernanda lançou seu primeiro romance, “Vergonha dos Pés”, que já tem mais de 15 edições. No ano seguinte, lançou “À Sombra de Vossas Asas”, que conta a história de amor, obsessão e vingança entre o fotógrafo Rigel (que reaparece no livro Aritmética) e da aspirante a-top-model Catarina.

Em 1998, foi a vez do romance “Carta para Alguém Bem Perto”, seguido por “As Pessoas dos Livros” (2000). Em 2001, após o lançamento de seu quarto romance, “O Efeito Urano”, Fernanda retomou a carreira de roteirista de televisão, com o famoso seriado “Os Normais”, exibido durante dois anos na TV Globo e que gerou um longa-metragem, em 2003. 

Fernanda Young também participou dos roteiros do quadro “Supersincero” (2005), no programa Fantástico, e do seriado “Minha Nada Mole Vida”, em 2006. Entre 2002 e 2003, co-apresentou, ao lado de Rita Lee, Mônica Waldvogel e Marisa Orth, a primeira temporada do programa “Saia Justa”, no canal GNT. 

Seus próximos livros, o romance “Aritmética” e a coletânea poética “Dor do Amor Romântico”, sairiam, respectivamente, em 2004 e 2005. Fernanda também escreveu uma coluna mensal na revista Claudia e apresentou o programa de entrevistas “Irritando Fernanda Young” – também no canal GNT – entre 2006 a 2010. 

Em 2012, estreou no GNT o programa “Confissões do Apocalipse”, seguindo a linha de entrevistas com pessoas conhecidas, porém tendo como pano de fundo a previsão maia acerca do fim do mundo, em 21 de dezembro de 2012, data de sua última exibição. 

Em 2012, o escritor e jornalista Rômulo Zanotto publicou o romance “Quero ser Fernanda Young”, uma obra intertextual e antropofágica em homenagem à Fernanda, em que dialoga com a obra literária e audiovisual da autora.

A escritora e roteirista foi duas vezes indicada ao Emmy Internacional de melhor comédia, pelos seriados globais “Separação?!” (2010) e “Como Aproveitar o Fim do Mundo” (2012). 

Fernanda Young também escreveu e atuou como uma das protagonistas das duas temporadas da série “Surtadas na Yoga”, também da GNT, em 2013 e 2014.

Em maio de 2015, a autora lançou seu 11º livro e o 2º de poesias de sua carreira, intitulado “A Mão Esquerda de Vênus”, pela Editora Globo. Em 2016, escreveu a nova versão do “TV Mulher”, para o Canal Viva e também lançou a obra literária, “Estragos”.

Seu último livro publicado em vida foi “Pós-F”, em 2018. Poucos dias depois de falecer, Fernanda Young iria estrear uma nova peça, “Ainda Nada de Novo”, em São Paulo, ao lado da atriz Fernanda Nobre.

Fernanda Young ganhou um documentário em 2024: “Foge-me ao Controle”, dirigido por Susanna Lira.

Os 5 últimos livros de Fernanda

1 – A Louca Debaixo Do Branco

Ed. Rocco (2012)

O que existe por debaixo do véu de um casamento? Este é o mote de “A Louca Debaixo Do Branco”. No livro, Fernanda Young dá forma à fantasia de vestir-se de noiva, para depois despir-se, em sessões de fotos com os maiores fotógrafos de publicidade do país. 

Sonhos, felicidades e frustrações são traduzidos em imagens e também em textos, a partir de uma série de entrevistas que a autora fez com famosos e anônimos, que compartilham com ela suas ilusões e desilusões.

2 – A Mão Esquerda de Vênus

Ed. Globo (2016) 

Fernanda Young não só tece palavras nos textos que escreve. Mais do que isso, a autora trava, no fluir criativo de seus poemas, um verdadeiro embate apaixonado com as palavras, que, segundo ela, a salvam de “uma angústia insustentável”. 

Fruto de um processo singular na obra da escritora, “A Mão esquerda de Vênus” presenteia os leitores com seus versos íntimos, permeados por desenhos, anotações, fotografias e bordados além do projeto gráfico de Daniel Trench. 

A relação de Young com a poesia não é de hoje e tem um caráter especial em sua produção. Foi sua obsessão pela palavra, dita ou impressa no papel, que a levou a driblar sua antiga dificuldade de ler e compreender a escrita. “A língua portuguesa nunca me deixou desistir. Sou uma romancista que escreve roteiros, que atua caso precise contar uma história, mas que começou escrevendo poemas, na verdade, devido à dislexia”. 

Também por essa razão que o leitor encontrará, nas páginas do livro, essa devoção amorosa pela palavra e pela estrutura própria do poema. “Poesia é mesmo uma estrutura cruel, visto que, se não conseguimos ler corretamente um poema, ele não fará sentido algum. Há versos que, sozinhos, contam páginas e páginas de uma história; outros encerram, na medida cirúrgica, exatamente o que querem dizer. É como se um romance coubesse ali”, afirma a autora, que reúne no livro poemas criados nos últimos dez anos. 

Contudo, a ideia de “A mão esquerda de Vênus” nasce de um “encontro”. Há alguns anos, a escritora encontrou, em uma caixa cheia de livros de sua amiga Monica Figueiredo, um maço de cartas amarrado em uma fita de cetim. Em meio à biblioteca que criou para abrigar a doação de dezenas de livros da família Figueiredo, ela e sua irmã, Renata Young, descobrem cartas de amor instigantes e misteriosas de Laurinha, mãe de Mônica, que as autorizou a seguir na leitura. 

Young acredita que a arrebatadora identificação com a autora daquelas cartas, tardiamente descobertas e escritas em lindos papéis finos, foi o elemento desencadeante do livro. Revelada nas cartas e diários escritos por Laurinha desde a adolescência até antes de sua morte, aos 69 anos, a história de amor vivida pela amiga provocou em Young uma profusão de sentimentos e sensações que a artista eterniza em sua arte poética. 

Com palavras cortantes, cruas, mas também com outras doces e românticas, a autora fala sobre o sentimento de amor em sua maior potência.

3 – Estragos

Ed. Globo (2016)

“Estragos” reúne as primeiras aventuras literárias de Fernanda Young, do período entre 1987 e 1995, quando ela tinha entre dezesseis e vinte e cinco anos de idade. Pela primeira vez publicados, os dezoito contos deste livro revelam a personalidade de uma jovem buscando seu estilo, um prenúncio do trabalho que viria a desenvolver nos anos seguintes, em seus mais de dez livros publicados.

4 – Pós-F – Para além do masculino e do feminino

Ed. LeYa (2018)

Em sua primeira obra de não ficção, Fernanda Young se insere no acalorado debate sobre o que significa ser homem e ser mulher hoje. Em textos autobiográficos, ela se revela como uma das tantas personagens femininas às quais deu voz, sempre independentes e a quem a inadequação é um sentimento intrínseco. 

E esse constante deslocamento faz com que Fernanda seja capaz de observar o feminino e o masculino em todas as suas potencialidades. É daí que surge o “Pós-F”, pós-feminismo e pós-Fernanda, um relato sincero sobre uma vida livre de estigmas, calcada na sobrevivência definitiva do amor, no respeito inquestionável ao outro e na sustentação do próprio desejo. 

No livro, que é ilustrado com desenhos da autora, Fernanda Young oferece sua visão de mundo na tentativa de superar polarizações e construir algo maior, em que caibam todos os gêneros.

5 – Posso Pedir Perdão, Só Não Posso Deixar de Pecar

Ed. LeYa (2019 – obra póstuma) 

“Posso pedir perdão, só não posso deixar de pecar” foi o primeiro livro escrito por Fernanda Young, aos 17 anos, e também o último a que ela se dedicaria, revendo os originais para a publicação mais de três décadas depois. Escrito no auge do despertar criativo da adolescência da autora, o romance exibe todos os sinais da grande artista que estava por vir: uma voz única, absolutamente provocadora, original, libertária, criadora e desconcertante nas letras brasileiras.

Seis meses antes de sua morte, a autora havia começado o resgate de um antigo romance, que foi publicado postumamente – em novembro de 2019.

O livro mistura despertar sexual e religioso, encontros com a carne e com o Espírito Santo, em um pouco ortodoxo romance de formação juvenil. A autora não quis fazer alterações no original, que é o mesmo que havia guardado na gaveta, mais de três décadas antes, e que foi reencontrado por acaso em uma arrumação que estava fazendo em sua casa.

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