“Doutora, estou vindo hoje em consulta porque quero saber se meus ossos estão fracos!” A frase, segundo a geriatra Julianne Pessequillo, se repete com frequência no consultório e revela uma preocupação comum: a osteoporose, conhecida popularmente como “osso fraco”.
Outra dúvida recorrente é o medo de se exercitar. “Doutora, não consigo fazer musculação, meus ossos não vão aguentar!”, relatam pacientes. E há ainda a apreensão depois de casos próximos: “Doutora, estou muito preocupada… minha vizinha caiu em casa e quebrou o fêmur do nada!”
A osteoporose é uma condição em que há perda progressiva de massa óssea, deixando os ossos mais frágeis e aumentando o risco de fraturas mesmo em situações do dia a dia. As regiões mais atingidas costumam ser quadril, coluna e punhos.
O problema é considerado de saúde pública e afeta milhões de brasileiros, especialmente mulheres após a menopausa e homens a partir dos 70 anos, com uma característica perigosa: costuma evoluir de forma silenciosa.
Quem deve ligar o alerta
A suspeita tende a surgir diante de fatores como histórico familiar, tabagismo, consumo excessivo de álcool, fraturas prévias, perda de estatura e alterações posturais. O uso prolongado de alguns medicamentos, como corticoides e anticonvulsivantes, além de doenças crônicas como artrite reumatoide e doença renal crônica, também pode aumentar o risco.
No consultório, um sinal chama atenção principalmente entre mulheres: “Doutora, como perdi altura e estou encurvada!” A queixa não deve ser atribuída automaticamente ao envelhecimento, porque pode indicar perda óssea e até fraturas na coluna que passam despercebidas.

Exame rápido ajuda a descobrir antes da fratura
O diagnóstico é feito por densitometria óssea, exame simples, rápido e indolor que mede a densidade dos ossos e indica se está normal, reduzida (osteopenia) ou compatível com osteoporose.
O procedimento é realizado com o paciente deitado em uma maca, enquanto o aparelho avalia principalmente coluna lombar e quadril, áreas mais vulneráveis a fraturas. A exposição à radiação, segundo o texto da médica, é mínima, inferior à de uma tomografia.
Como a doença pode não dar sintomas, a atenção aos sinais é decisiva. Dores persistentes nas costas, especialmente na região lombar, perda de altura acima de 2 cm e mudanças na postura são motivos para buscar avaliação médica.
Hábitos que ajudam a proteger os ossos. A prevenção passa por medidas cotidianas. Entre as principais recomendações estão:
- · alimentação rica em cálcio e vitamina D;
- · atividade física regular, com foco em força, equilíbrio e caminhada;
- · evitar cigarro;
- · moderar o consumo de álcool.
Além disso, adaptações simples em casa podem reduzir o risco de quedas, um dos principais gatilhos de fraturas em quem já tem os ossos frágeis. Boa iluminação, retirada de tapetes soltos e uso de calçados adequados estão entre as orientações.
Para a médica, a discussão vai além do diagnóstico. “Mais do que um diagnóstico, falar sobre osteoporose é falar sobre movimento, independência e autoestima.”
Ela reforça que o acompanhamento regular ajuda a identificar riscos individuais e orientar estratégias personalizadas. “Envelhecer com ossos fortes é resultado de prevenção contínua e escolhas conscientes.”



