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Parabéns para quem? Temos algum motivo para celebrar?

Num momento em que discursos violentos ganham espaço e criminosos são tratados como comentaristas, a comunicação enfrenta um teste decisivo: filtrar o que serve ao interesse público e rejeitar o que ameaça a dignidade humana. Hoje, um alerta necessário sobre responsabilidade, voz e limites.

Não se arrependa de nada. Essa é a frase estampada na camiseta do estuprador Vitor Hugo Simonin.

E porque eu estou falando sobre isso?
E por que eu estou falando sobre isso?
Porque domingo foi Dia das Mulheres, e eu só consigo dar parabéns às mulheres que sobrevivem a essa sociedade doente e criminosa.
Hoje, ser mulher e sobreviver já é resistência.
Não há celebração possível enquanto vivemos em um mundo marcado por machismo, misoginia e violência.
Chamam isso de civilização, mas de civilizado há muito pouco.
E, nesse cenário, surgem os porta-vozes da violência travestidos de opinião — os chamados red pills.
Homens horrorosos que usam misoginia como argumento, que ditam o que mulheres devem ser e, principalmente, o que não podem ser.
Influenciam milhares.
Carregam nas mãos e na boca o sangue simbólico de milhares de mulheres vítimas desse absurdo.
São vampiros sociais.
E o mais grave: esse tipo de gente ainda ganha espaço.
Ainda recebe microfone.
Ainda é entrevistado como se tivesse algo relevante a dizer.
Quando foi que chegamos ao ponto de transformar crueldade em conteúdo?
Há uma ausência absoluta de responsabilidade de quem deveria filtrar o que merece ser propagado.
Programas de TV que colocam ideias criminosas em debate achando que isso é “polêmica” estão, na verdade, legitimando essas ideias.
Isso não é liberdade de expressão.
É desumanidade.
E precisamos deixar claro:
Não existe debate possível sobre ideias criminosas.
Não se discute o inaceitável.
Não se oferece microfone ao que fere.
No jornalismo, nos podcasts, nas redes — criminosos não devem ser convidados.
Não devem ser entrevistados.
Não devem ser transformados em personagens.
Eles devem ser responsabilizados, não celebrados.
Devem ser silenciados institucionalmente, não amplificados.
Na comunicação, debate só existe onde há lei, respeito e dignidade humana.
O resto é lixo.
Lixo de pensamento.
Lixo que precisa ser descartado para que a sociedade avance.
E mulheres… não sejam violentas também.
Mulheres machistas são tão absurdas quanto os homens machistas.
É como se as árvores fossem a favor do desmatamento — palavras da minha filha de 16 anos.
Por isso, essa reflexão começa dentro de casa.
Na educação dos nossos filhos.
No nosso posicionamento diário.
E uma coisa importante: não eleger quem incentiva violência.
Está difícil, eu sei.
Mas não podemos colocar no poder pessoas que propagam e aceitam esse tipo de atitude — de nenhum lado.
Não podemos dar poder a quem nos vitimiza.
E o que a comunicação tem a ver com isso?
Tudo.
Quando propagamos ideias violentas, somos irresponsáveis.
Debate deve servir para avançar, não para alimentar polêmica e dar ibope.
Quando permitimos esse nível de discussão, levantamos a possibilidade de que essas ideias pareçam aceitáveis.
Liberdade de expressão não é isso.
Segurança e dignidade não podem ser questionadas por criminosos.

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