A pedra nos rins, também chamada de cálculo renal, costuma ganhar atenção por um motivo direto: a dor intensa. As crises podem aparecer de repente e levar o paciente ao pronto-socorro. Mas, segundo a nefrologista Carlucci Ventura, nem sempre se trata apenas de um episódio isolado.
“Em algumas situações, a condição pode evoluir para complicações que exigem investigação e tratamento especializado para evitar danos permanentes aos rins.”
As pedras se formam quando a urina fica muito concentrada, favorecendo a cristalização de sais e minerais. “Os cálculos renais se formam quando há concentração excessiva de sais e minerais na urina, como cálcio, oxalato e ácido úrico”, explica a médica. Ela destaca que “a baixa ingestão de líquidos é um dos principais fatores envolvidos”, porque diminui o volume urinário e facilita a formação dos cristais.
Quando a pedra começa a se mover e passa pelos canais urinários, o corpo reage com irritação local e contrações dolorosas. “Quando a pedra se desloca pelo trato urinário, especialmente pelo ureter, ocorre irritação intensa da mucosa e espasmo da musculatura local”, descreve a nefrologista. Além da dor em cólica, podem surgir náuseas, vômitos e sangue na urina.

Quando a pedra deixa de ser “só dor”
Muitas pedras pequenas são eliminadas espontaneamente. O problema cresce quando o cálculo é maior, não sai, bloqueia a passagem de urina ou aparece junto com infecção. “O risco aumenta quando o cálculo é grande, permanece obstruindo o fluxo de urina ou está associado a infecção”, afirma Ventura.
Esse cenário pode provocar dilatação do rim, infecções urinárias de repetição e até prejudicar a função renal. Entre os sinais de alerta, a médica aponta um em especial: “Febre associada à dor lombar é um sinal de alerta importante e indica necessidade de atendimento médico imediato.”
Outro ponto é a repetição do problema. “Pessoas que formam cálculos repetidamente devem ser investigadas, pois podem existir alterações metabólicas ou hábitos alimentares que favorecem a formação das pedras”, diz. “Ignorar essas situações pode transformar um problema episódico em uma doença crônica.”
Diagnóstico e tratamento: do controle da dor aos procedimentos
Para confirmar o diagnóstico e entender o tamanho e a posição da pedra, os médicos usam exames de imagem. “O diagnóstico do cálculo renal é feito por exames de imagem, como tomografia ou ultrassom, que avaliam o tamanho, a localização e o impacto da pedra sobre o rim”, detalha a nefrologista.
O tratamento varia de caso a caso. “Em muitos casos, medidas conservadoras, como hidratação intensa e controle da dor, são suficientes”, afirma Ventura. Quando a pedra não sai ou surgem complicações, entram alternativas minimamente invasivas. “Procedimentos minimamente invasivos, como litotripsia ou cirurgias endoscópicas, permitem remover ou fragmentar as pedras com segurança.”
Para quem tem recorrência, a investigação pode ir além do exame de imagem. “O estudo metabólico da urina é fundamental na investigação, pois permite identificar alterações metabólicas que facilitam a formação de cálculos renais”, diz a médica. Esse estudo é feito com “a coleta de urina de 24 horas” e avalia itens como cálcio, oxalato, citrato, sódio e pH urinário, para orientar uma prevenção sob medida.
Prevenção para reduzir a chance de novas crises
Segundo a nefrologista, evitar novos episódios é parte central do cuidado. “A prevenção é parte essencial do cuidado”, afirma. As medidas incluem:
- · aumentar a ingestão de líquidos;
- · ajustar a alimentação;
- · em alguns casos, usar medicações específicas.
Ela acrescenta que “o acompanhamento com nefrologista é indicado principalmente para quem já teve mais de um episódio, garantindo uma abordagem personalizada e preventiva”.
No recado final, a especialista reforça que a pedra nos rins não deve ser subestimada: “Pedra nos rins não deve ser encarada apenas como um episódio doloroso isolado. Em determinadas situações, ela pode comprometer seriamente a saúde renal. Investigar a causa, tratar corretamente e adotar medidas preventivas são passos fundamentais para evitar recorrências e proteger os rins a longo prazo.”



