Pejotização: decisões do STF dividem opiniões e travam 500 mil processos trabalhistas

Novabrasil
Novabrasil
Somos uma emissora que privilegia a MPB como alicerce de nossa programação, creditando ao estilo musical sua devida importância como um dos maiores patrimônios brasileiros. Nos colocamos como uma solução multiplataforma que foca em conteúdo para engajar a audiência e aproximá-las de maneira relevante e pertinente das marcas. A Novabrasil faz parte do Grupo Thathi, conglomerado de comunicação que conta com o Portal TH+, além de emissoras de rádio e televisão em mais de 400 cidades de várias regiões do país.

A decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender ações trabalhistas que discutem vínculo de emprego em contratos por meio de pessoa jurídica — a chamada pejotização — acendeu um debate nacional sobre os limites da Justiça do Trabalho, a segurança jurídica das empresas e os direitos dos trabalhadores.

De um lado, juízes trabalhistas alertam para o risco de paralisação de milhares de processos e possível esvaziamento da Justiça do Trabalho. De outro, especialistas em direito empresarial veem a medida como necessária para garantir clareza e previsibilidade nas contratações.

Justiça do Trabalho preocupada com paralisação de processos

Para a juíza Luciana Conforti, presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), a decisão causa insegurança tanto para empresas quanto para trabalhadores, especialmente os mais vulneráveis. “Estamos falando de milhares de ações envolvendo trabalhadores que não têm qualquer condição econômica para esperar o tempo que esses processos podem levar”, afirmou.

Segundo ela, a suspensão abrange os 24 Tribunais Regionais do Trabalho e afeta ações sobre vínculos não reconhecidos formalmente pelas empresas, inclusive de trabalhadores que atuam como autônomos, mas em condições típicas de emprego. “Nos preocupa essa suspensão generalizada, porque a Justiça do Trabalho tem competência constitucional para analisar se há ou não vínculo, caso a caso”, disse.

Luciana lembra que a decisão se baseou em um caso em que a própria Justiça do Trabalho não reconheceu vínculo de emprego. “Foi uma ação de um corretor de seguros julgada improcedente. O trabalhador recorreu, e esse caso foi escolhido como representativo. Isso mostra que a Justiça do Trabalho analisa adequadamente os fatos.”

Segurança jurídica para as empresas, diz professor do Insper

Na visão do professor Jorge Matsumoto, especialista em direito do trabalho e professor de pós-graduação do Insper, a decisão do STF busca justamente trazer clareza a um cenário confuso. “O Supremo quer definir duas coisas fundamentais: quem deve julgar essas ações e quem tem o ônus da prova”, explica.

Para ele, o problema não está no modelo de contratação via PJ, mas na falta de critérios objetivos. “O STF quer saber se a Justiça do Trabalho deve julgar esses casos como vínculo de emprego ou se é a Justiça comum, que analisa contratos de prestação de serviços”, diz. Outro ponto, segundo ele, é saber se cabe ao trabalhador provar que houve fraude ou se é a empresa que deve comprovar que o contrato foi lícito.

Matsumoto acredita que a paralisação, embora incômoda, é um mal necessário. “É uma medida temporária, e uma vez definidos os critérios, os processos podem seguir. O STF agiu com acerto.”

Liberdade de contratação X proteção ao trabalhador

O professor também destaca que a decisão de Gilmar Mendes segue uma linha de valorização da liberdade econômica. “Ele tem um entendimento firme de que os contratos de prestação de serviços são válidos, e não devem partir da presunção de ilegalidade, como tem feito a Justiça do Trabalho”, defende.

A juíza Luciana, no entanto, faz um alerta: “Essa discussão não se limita a profissionais liberais. Estamos vendo casos em que até garis são contratados como PJ. Isso afeta diretamente trabalhadores que dependem daquele vínculo para garantir o sustento da família.”

O que esperar daqui para frente

A decisão do ministro Gilmar Mendes foi monocrática e deverá ser analisada pelo plenário do Supremo. A expectativa, segundo Matsumoto, é que o julgamento aconteça até o final do ano, embora não haja prazo definido. “Enquanto isso, cerca de 500 mil processos seguem suspensos.”

A Anamatra espera que a suspensão seja revista para que os processos possam continuar tramitando. “Esperamos que o ministro reconsidere essa suspensão, para que a Justiça do Trabalho continue exercendo sua missão constitucional”, afirma Luciana.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS