‘Pérola Negra’, álbum de Luiz Melodia, é revisitado em livro lançado pela editora Cobogó

No começo dos anos 1970, Luiz Melodia cantava versos como “Tente passar pelo que estou passando”, pedindo atenção para suas dores de amor e escancarando suas ideias musicais. Poucos artistas da música brasileira conseguiram reunir tantas referências e transformá-las em uma linguagem própria quanto ele. Nascido e criado no bairro Estácio, berço do samba carioca, o cantor atravessou fronteiras estéticas com naturalidade, misturando samba, blues, rock, forró e canções populares em uma obra singular, que desafiou classificações e marcou definitivamente a história da MPB.

Neste volume da coleção O Livro do Disco, o jornalista Márcio Pinheiro mergulha em Pérola Negra, álbum de estreia de Luiz Melodia, lançado em 1973 e, hoje, reconhecido como um dos discos mais originais da música brasileira. Em dez faixas que se tornaram clássicos — entre elas “Magrelinha”, “Farrapo Humano”, “Estácio, Holly Estácio” e a canção-título —, o artista apresentou ao país uma voz poética inconfundível, capaz de unir lirismo, inquietação e liberdade criativa.

Mais do que contar a história de um álbum, o livro reconstrói o ambiente cultural que cercou sua criação: o Rio de Janeiro dos anos 1970, a efervescência da contracultura, a poesia marginal, o protagonismo de figuras como Gal Costa, Waly Salomão e Hélio Oiticica, além das tensões impostas pela ditadura militar. Com pesquisa cuidadosa e narrativa envolvente, Márcio Pinheiro acompanha os caminhos que levaram Luiz Melodia da região do São Carlos aos estúdios de gravação, analisando o impacto de Pérola Negra em sua carreira e na música brasileira. O resultado é um retrato sensível de um criador que fez da mistura sua marca e transformou a experiência suburbana carioca em arte universal.

Luiz Melodia

Luiz Melodia, de batismo Luiz Carlos dos Santos, nasceu em janeiro de 1951, no bairro Estácio, Rio de Janeiro, e foi criado na região chamada Atrás do Zinco, encravada no morro de São Carlos. Herdou do pai Oswaldo Melodia o sobrenome e o lado artístico. Construiu uma obra marcada pela liberdade estética e pela recusa a rótulos, transitando entre diversos estilos musicais sem se prender a nenhum deles ao usar uma linguagem inteiramente sua.

Descoberto no início dos anos 1970 por nomes ligados à vanguarda cultural carioca, como Waly Salomão e Hélio Oiticica, lançou em 1973 o álbum Pérola Negra, considerado um marco da MPB. Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, gravou mais de 15 discos – entre álbuns de estúdio e registros ao vivo — e influenciou diferentes gerações de artistas com sua escrita poética singular.

Luiz Melodia Foto: Divulgação.

Sobre o autor

Márcio Pinheiro nasceu e vive até hoje em Porto Alegre. Jornalista e editor do site AmaJazz, trabalhou em veículos como Zero Hora, Gazeta Mercantil, Jornal da Tarde e Jornal do Brasil.

É autor de Esse tal de Borghettinho (2015); Rato de redação – Sig e a história do Pasquim (2022), que foi finalista do Prêmio Jabuti; O que não tem censura nem nunca terá — Chico Buarque e a repressão artística na ditadura militar (2024); e Um homem chamado opinião — A trajetória cultural e política de Fernando Gasparian (2026).

Marcio Pinheiro. Foto: Cássia Zanon.

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