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Pré-natal vai além de exames: acolhimento emocional protege mães e bebês

O pré-natal não se resume a exames e vitaminas. Para a ginecologista Ana Horovitz, o cuidado também precisa acolher sentimentos e histórias. “Uma dimensão igualmente importante tem sido negligenciada: a saúde emocional da gestante”, afirma.

Ansiedade e depressão ainda invisíveis no consultório

Segundo a médica, até 25% das gestantes podem apresentar sintomas de ansiedade durante a gravidez, e cerca de 15% desenvolvem algum grau de depressão. Esses índices tendem a ser maiores em gestações de risco, entre mulheres com histórico de perda gestacional ou após longos tratamentos de fertilidade.

Mesmo diante desse cenário, ela aponta que a prática segue excessivamente técnica: mede-se pressão, avalia-se o crescimento do útero, prescrevem-se exames e vitaminas. “Pouco se reserva tempo para uma escuta ativa que permita à mulher expressar suas emoções”, diz. Para muitas, esse vazio resulta em insegurança e silêncio, ou na busca por apoio em grupos virtuais sem orientação adequada.

Foto: Divulgação.

O que é o pré-natal emocional

O conceito propõe ampliar o olhar da assistência. “O conceito de pré-natal emocional propõe exatamente essa mudança: enxergar a gestação como uma experiência que envolve tanto a saúde física quanto a saúde mental.” Isso inclui criar espaço para a mulher falar de medos e expectativas, considerar rede de apoio e contexto familiar e acolher situações delicadas, como perdas anteriores. Quando há sinais de sofrimento intenso, a médica ressalta a importância de encaminhar para acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.

Essa abordagem não substitui o rigor clínico. “Essa abordagem humanizada não substitui os protocolos clínicos – pelo contrário, os complementa.” De acordo com Horovitz, gestantes emocionalmente acolhidas aderem melhor às orientações, têm menor risco de depressão no pós-parto e tendem a construir um vínculo mais saudável com o bebê. “Para os profissionais de saúde, trata-se de resgatar um aspecto fundamental da medicina: ouvir com atenção, acolher sem julgamentos e entender que cada gravidez é única.”

Como resume a ginecologista: “O pré-natal ideal é aquele que equilibra ciência e sensibilidade. Exames e protocolos são indispensáveis, mas não devem ocupar todo o espaço da consulta.”

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