Refluxo atinge 1 em cada 3 brasileiros e azia frequente pode ser sinal de alerta

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Aquela queimação que sobe pelo peito depois de uma refeição mais pesada ou de bebida alcoólica é uma queixa comum e, muitas vezes, subestimada. A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) afeta cerca de 1 em cada 3 brasileiros e pode ir muito além do desconforto pontual, exigindo avaliação quando os sintomas se tornam frequentes.

O cirurgião do aparelho digestivo Ricardo Purchio Galletti explica que o refluxo acontece quando o conteúdo ácido do estômago volta para o esôfago, estrutura que não tem a mesma proteção contra essa acidez. “Entre o esôfago e o estômago existe uma espécie de válvula que deveria abrir para o alimento passar e fechar em seguida. Quando ela falha, o ácido sobe e causa a azia”, afirma.

Embora a queimação seja o sintoma mais conhecido, o problema pode se manifestar de maneiras menos óbvias. Tosse seca persistente, rouquidão, pigarro, sensação de “bolo” na garganta e até desgaste do esmalte dos dentes podem estar ligados ao refluxo — o que leva muita gente a procurar primeiro o otorrino ou o dentista antes de identificar a origem do incômodo.

O que pode desencadear o refluxo

De acordo com o especialista, em muitos casos a explicação está no estilo de vida. Estresse, sedentarismo e, principalmente, hábitos alimentares favorecem a piora do quadro. Alimentos ultraprocessados, excesso de gordura, frituras, chocolate, café, refrigerantes e bebidas alcoólicas costumam funcionar como gatilhos, ao facilitar o relaxamento da “válvula” que separa esôfago e estômago.

Outros comportamentos também pesam: comer grandes volumes e se deitar logo em seguida é uma combinação que aumenta a chance de o ácido voltar. Além disso, sobrepeso e obesidade são fatores de risco relevantes, pois elevam a pressão dentro do abdome e empurram o conteúdo do estômago para cima.

Foto: Freepik.

Como tratar e quando buscar ajuda

O tratamento costuma começar com ajustes na rotina, que podem reduzir os episódios de forma significativa. Entre as medidas mais recomendadas estão evitar refeições pesadas à noite, esperar pelo menos duas horas entre jantar e deitar, elevar a cabeceira da cama e manter o peso em níveis saudáveis.

Quando isso não basta, entram os medicamentos que reduzem a produção de ácido no estômago, ajudando a aliviar sintomas e permitindo a cicatrização do esôfago. Galletti alerta, porém, que o uso deve ser acompanhado por um médico. “A automedicação prolongada pode mascarar problemas mais sérios”, destaca.

A cirurgia é reservada a situações específicas — quando não há boa resposta aos remédios, quando a pessoa não quer depender de medicação contínua ou quando surgem complicações como hérnia de hiato volumosa. Segundo o médico, quando bem indicada, a operação pode ser feita por

videolaparoscopia ou com auxílio de plataforma robótica, com pequenas incisões e recuperação mais rápida, reconstruindo a barreira que evita a subida do ácido.

O principal alerta é não normalizar o sintoma. “Sentir azia todos os dias não é normal”, afirma Galletti. Isso porque o refluxo crônico sem tratamento pode levar a inflamações importantes, estreitamento do esôfago e alterações celulares associadas a maior risco de câncer ao longo do tempo.

Se a azia tem sido frequente ou se surgiram sintomas como tosse seca persistente, rouquidão e sensação de algo preso na garganta, a orientação é procurar avaliação especializada para confirmar o diagnóstico e definir o melhor tratamento.

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