A forma de construir uma família mudou, e a medicina também. No Brasil, a reprodução assistida tem aberto caminhos para pessoas LGBTQIA+ e para quem não se encaixa em modelos tradicionais realizarem o desejo de ter filhos com acompanhamento especializado e foco em segurança.
Segundo a ginecologista Stephanie Majer, “cada vez mais, pessoas LGBTQIA+ e indivíduos que não seguem modelos familiares tradicionais encontram na reprodução assistida um caminho seguro e possível para realizar o desejo de ter filhos”.
Quais são as principais possibilidades
Entre casais de mulheres, os procedimentos mais comuns incluem a inseminação intrauterina e a fertilização in vitro (FIV). Dentro da FIV, há ainda o método ROPA, em que uma parceira fornece o óvulo e a outra gesta o bebê, alternativa que pode fortalecer a participação das duas no processo.
Já para casais de homens, a gestação de substituição é a via indicada no país, seguindo critérios éticos. No caso de pessoas trans, uma possibilidade é preservar óvulos ou espermatozoides antes do início de terapia hormonal ou de cirurgias, mantendo aberta a chance de ter filhos biológicos mais adiante.
A médica resume que “cada estratégia é definida a partir da história, do desejo e das condições clínicas de quem busca o tratamento”.

Acolhimento pesa tanto quanto a tecnologia
Para além dos procedimentos, o atendimento faz diferença no percurso. “Mais do que tecnologia, a reprodução assistida exige sensibilidade”, afirma Stephanie Majer. Ela destaca que muitas famílias LGBTQIA+ enfrentam barreiras emocionais e sociais antes mesmo de iniciar o tratamento.
Na prática, isso envolve um cuidado livre de julgamentos, com linguagem inclusiva, escuta e orientação clara sobre etapas que podem incluir não só decisões médicas, mas também dúvidas emocionais, jurídicas e éticas. Como descreve a médica, “o atendimento precisa ser livre de julgamentos, com linguagem inclusiva, escuta ativa e compreensão das singularidades de cada história”.
Um recurso que também fala de inclusão
Com o avanço das técnicas, a reprodução assistida deixou de ser vista apenas como resposta à infertilidade e passou a apoiar projetos de vida. “Hoje, a medicina não se limita a tratar infertilidade, mas também atua como facilitadora de projetos de vida”, diz a especialista.
No fim, a ideia central é que não existe um único modelo de parentalidade. Para a médica, “a parentalidade não se define por um único modelo. Ela nasce do desejo, do planejamento e do afeto”.


