A música sempre esteve presente nos territórios onde o Estado se ausentou. Em comunidades marcadas pela violência, ela surge como linguagem possível, como denúncia e como acolhimento. Não é coincidência que os gêneros mais criminalizados sejam aqueles criados por jovens negros e periféricos.
Rap, funk, reggae e samba narram realidades que muitas vezes são ignoradas pelas políticas públicas. Eles falam de violência policial, racismo, ausência de direitos e luto cotidiano. A música transforma dor em discurso e cria consciência coletiva.
Para muitos jovens negros, a música é a primeira ferramenta de afirmação. Ela diz: “você existe, sua história importa”. Mais do que entretenimento, ela salva vidas, cria pertencimento e oferece alternativas simbólicas onde quase tudo foi negado.
Tratar a música apenas como diversão é ignorar seu papel histórico como instrumento de resistência social. Em contextos de violência, cantar é sobreviver.



