“São Paulo está com grave problema de gestão,” afirma Haddad em sabatina à Novabrasil

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Fernando Haddad participou nesta quinta-feira, 23, de uma sabatina no jornalismo da Novabrasil. Pré-candidato ao governo do estado pela coligação liderada pelo PT, o ex-prefeito da capital paulista defendeu sua candidatura, criticou a gestão de Tarcísio de Freitas e prometeu rever contratos assinados pelo atual governo caso seja eleito.

Uma chapa de sete partidos

Haddad abriu a entrevista apresentando a composição da coligação que sustenta sua pré-candidatura. Segundo o ex-prefeito, o grupo reúne “todo o campo progressista” em torno de uma chapa com Márcio França, do PSB, na vice-governadoria, Simone Tebet e Marina Silva concorrendo ao Senado, além do apoio de PCdoB, PV e PDT.

“São sete partidos e uma chapa bacana, paritária, dois homens, duas mulheres, ampla, com gente muito experiente”, afirmou. O ministro lembrou que a chapa reúne três ex-candidatos à Presidência da República (ele próprio, Marina Silva e Simone Tebet) e destacou a experiência de Márcio França como ex-governador do estado.

Crítica à segurança pública

Ao ser questionado sobre o desempenho eleitoral do PT na Grande São Paulo, Haddad reconheceu as dificuldades do partido nas prefeituras da região, mas defendeu seu próprio resultado na eleição para governador, quando teria vencido Tarcísio por dez pontos na região metropolitana.

A partir daí, o ex-prefeito concentrou as críticas na gestão estadual da segurança pública. Ele citou o afastamento do comandante-geral da Polícia Militar, indicado por Tarcísio, por suposta ligação com o crime organizado. “Você tem casos graves de corrupção, inclusive na Polícia Militar, que não existiam”, disse.

Haddad também apontou uma contradição entre a riqueza do estado e a remuneração das forças de segurança. Para ele, São Paulo é “o estado mais rico da federação” e paga “um dos menores salários de policial militar e policial civil” do país.

Sobre o caso do comandante-geral, Haddad detalhou: “teve que ser afastado por ligação com crime organizado. Só ficou três anos à frente da Polícia Militar e descobriram agora, no final do governo, que está associado ao crime organizado. Alguns coronéis foram afastados. Isso é muito ruim para a corporação.”

Comparações na educação

Sobre educação, o pré-candidato citou dados que, segundo ele, colocam São Paulo atrás de estados com menos recursos por aluno. Ele mencionou Piauí, Ceará e Pernambuco como exemplos de gestões que superam o estado paulista em qualidade de ensino de tempo integral, mesmo com menos da metade do orçamento por aluno.

“São Paulo está pior do que o Ceará e Pernambuco em qualidade, pior que o Piauí em educação de tempo integral”, afirmou Haddad.

Privatizações sob debate: CPTM e Sabesp

O apresentador contrapôs as críticas de Haddad ao histórico de parcerias público-privadas do próprio ex-prefeito, autor da lei das PPPs no Brasil. Haddad reagiu distinguindo entre defender parcerias bem estruturadas e criticar contratos específicos.

Sobre a privatização da Sabesp, o ministro afirmou que o lucro da companhia subiu de cerca de 3 bilhões de reais por ano, distribuídos entre os acionistas antes da venda do controle, para 9 bilhões de reais depois da privatização. Segundo ele, o aumento veio acompanhado da demissão de 47% da força de trabalho e de falhas no serviço, incluindo três mortes em obras da companhia.

“A conta subiu e o serviço piorou”, resumiu Haddad, que também citou protestos na sede da Sabesp motivados pela queda de pressão na periferia de São Paulo.

Sobre a CPTM, o pré-candidato relacionou as falhas recentes nas linhas privatizadas, incluindo passageiros caminhando pelos trilhos durante uma pane, ao contrato assinado pelo governo estadual.

Haddad também criticou outras privatizações do governo estadual. Sobre o serviço funerário, disse: “privatizou o serviço funerário da cidade de São Paulo, encareceu, e não melhorou o serviço porque já estava bom. Tem gente pagando R$ 12 mil até R$ 18 mil para enterrar uma pessoa, através de redes privadas, em São Paulo.” Sobre a Sabesp, repetiu a crítica ao aumento da tarifa: “privatizar a água prometendo que vai diminuir a conta e aumenta, você está mentindo.”

Promessa de revisão de contratos

Haddad prometeu revisar os contratos assinados por Tarcísio caso seja eleito, incluindo os da Sabesp, do centro administrativo e da CPTM. Ele comparou a medida a ações que tomou como prefeito, como o fim da inspeção veicular obrigatória em São Paulo e a suspensão do contrato do túnel Roberto Marinho, apontado à época como superfaturado.

“Vou fazer revisão de contrato porque ele pegou contratos mal assinados, com indício de corrupção”, afirmou o ex-prefeito, que citou também acompanhamento do Tribunal de Contas sobre contratos de concessão ferroviária assinados por Tarcísio quando este era ministro da Infraestrutura.

Haddad relacionou a promessa a uma experiência anterior: “vou ter que rever os contratos que ele assinou, como eu fiz como ministro da Fazenda, porque ele assinou contratos da União prejudiciais aos cofres públicos.”

Trem Intercidades e apoio federal

Questionado sobre a continuidade de grandes obras, Haddad garantiu que o projeto do trem Intercidades seguirá recebendo financiamento federal, independentemente de quem vença a eleição estadual, caso Lula seja reeleito à Presidência. Segundo o ministro, o governo federal reduziu o serviço da dívida de São Paulo em 11 bilhões de reais neste ano e liberou uma linha de crédito de 13 bilhões de reais do BNDES para viabilizar obras como o trem e o túnel Santos-Guarujá.

Haddad também defendeu um plano metropolitano de transporte mais amplo. Para ele, o trem Intercidades sozinho não resolve o problema de mobilidade entre a capital e cidades como Campinas, Sorocaba e São José dos Campos, porque falta integração do transporte intermunicipal e planejamento conjunto entre os municípios da região.

Cracolândia e política de redução de danos

Sobre a a Cracolândia, Haddad relembrou o programa Braços Abertos, criado durante sua gestão como prefeito, que oferecia hospedagem e trabalho remunerado a usuários de drogas na região central. 

O ex-prefeito criticou a política atual de dispersão adotada pelo governo estadual, que teria resultado em cerca de 72 pontos de uso de drogas espalhados pela cidade. “O erro do Tarcísio está em não fazer uma política de redução de danos nessas 72 pequenas cracolândias “, afirmou. Para Haddad, a dispersão só funciona quando vem acompanhada de assistência social, o que não estaria ocorrendo.

Um apelo ao voto informado

Ao encerrar a sabatina, Haddad defendeu que os eleitores tomem decisões com base em informações verificáveis, e não em preferências emocionais. “Eu gostaria que as pessoas entendessem e pudessem escolher mais com a razão e menos com o coração”, disse.

O pré-candidato pediu ainda que a disputa eleitoral ocorra sem desinformação. “Você pode constranger o seu adversário, mas com fato concreto, e não com invenção”, afirmou, ao defender uma campanha “digna do eleitor“.

A sabatina faz parte de uma série de entrevistas que o Jornal Novabrasil está promovendo com pré-candidatos às Eleições 2026. Os demais nomes já foram contatados e convidados a participar.

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