Setembro é o mês de conscientização sobre a saúde do coração e uma oportunidade importante para falarmos sobre prevenção cardiovascular.
As doenças cardiovasculares continuam entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo. A Sociedade Brasileira de Cardiologia mantém o Cardiômetro, uma ferramenta criada para estimar o número de mortes por doenças cardiovasculares no país e mostrar a dimensão desse problema. Dados divulgados pela própria SBC já apontaram mais de 1.100 mortes por dia por doenças cardiovasculares no Brasil.
Esses números chamam a atenção principalmente porque muitos dos fatores que aumentam o risco de infarto e AVC (acidente vascular cerebral) podem ser identificados e tratados antes que aconteça um evento cardiovascular.
Na prática, muita gente ainda procura o cardiologista somente quando aparece algum sintoma. Dor ou pressão no peito, falta de ar, palpitações, desmaio, inchaço nas pernas e um cansaço diferente do habitual precisam ser investigados, mas é importante lembrar que a doença cardiovascular nem sempre apresenta sintomas.
Hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes e aterosclerose podem permanecer silenciosos durante muitos anos. Uma pessoa pode se sentir bem e, mesmo assim, apresentar fatores de risco ou já ter aterosclerose “placa” nas artérias.
Esse foi, inclusive, um dos assuntos que ganhou destaque no Congresso Europeu de Cardiologia de 2026. O estudo REACT avaliou 16.808 adultos entre 18 e 70 anos, sem doença cardiovascular aterosclerótica conhecida, utilizando exames de imagem para procurar aterosclerose nas artérias coronárias, carótidas e femorais.
O resultado mostrou presença de aterosclerose silenciosa “placas” em 57,1% dos participantes. A doença já estava presente em aproximadamente 1 a cada 13 adultos entre 18 e 29 anos e sua frequência aumentou progressivamente com a idade, chegando a cerca de 9 a cada 10 participantes entre 60 e 70 anos.
O estudo também mostrou um ponto importante para a prevenção cardiovascular. A avaliação baseada apenas nos fatores de risco tradicionais nem sempre identifica quem já apresenta aterosclerose. Isso não significa que todas as pessoas devam realizar exames de imagem para procurar placas, mas reforça a importância de uma avaliação individualizada do risco cardiovascular.
Pressão arterial, colesterol, glicemia, tabagismo, atividade física, peso, idade e histórico familiar fazem parte dessa avaliação. Dependendo do perfil de cada pessoa, outros exames podem ser utilizados para complementar a estratificação de risco.
A prevenção cardiovascular começa justamente pela identificação e pelo controle desses fatores. Não fumar, praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação adequada e controlar pressão arterial, colesterol e diabetes são medidas com benefício bem estabelecido na redução do risco cardiovascular.
Setembro Vermelho é uma oportunidade para lembrar que cuidar do coração não depende apenas da presença de sintomas. Conhecer os próprios fatores de risco e fazer uma avaliação adequada permite identificar precocemente quem precisa de maior atenção e tratamento.
Você sabe como estão a sua pressão arterial, o seu colesterol e a sua glicemia? Seu check-up cardiovascular está em dia?

