Sentir-se um “impostor” mesmo com um currículo de peso é mais comum do que parece. Para o psicoterapeuta Diego Wildberger, essa sensação nasce de crenças e padrões que distorcem o valor pessoal e alimentam a autossabotagem.
O desconforto com o próprio sucesso atinge até nomes brilhantes. Albert Einstein já admitiu: “A admiração exagerada que meu trabalho recebe me deixa muito desconfortável. Às vezes eu tendo a pensar que sou um vigarista involuntário.”
O que está por trás da sensação de fraude
Segundo Wildberger, a Síndrome do Impostor não é um diagnóstico, mas um padrão mental e emocional cultivado ao longo da vida. “A Síndrome do Impostor não é uma doença, mas um conjunto de crenças autossabotadoras e padrões emocionais que distorcem a percepção de valor pessoal”, afirma.
Essas raízes, explica ele, costumam surgir em ambientes muito críticos e exigentes na infância e adolescência, marcados por comparações e afeto condicionado ao desempenho. “Com o tempo, o indivíduo aprende que ‘ser bom’ é nunca errar, nunca relaxar, nunca falhar.”
Na vida adulta, esse padrão vira uma corrida sem linha de chegada: é preciso provar o tempo todo que se merece o que já foi conquistado. “A consequência é um ciclo de ansiedade, perfeccionismo e exaustão emocional”, resume.
Terapia ajuda a reconectar valor e história
Para o psicoterapeuta, o tratamento vai além de “pensar positivo”. “A psicoterapia surge como uma alternativa para compreender a pessoa como um todo, uma busca para reconstruir a relação consigo mesmo, integrando mente, corpo, emoção, energia vital e história pessoal.”
Ele destaca que a prática clínica inclui ferramentas para ancorar emoções no corpo e na experiência real. “Por meio de escuta profunda, técnicas de respiração e práticas de reconexão corporal, o paciente aprende a reconhecer suas conquistas sem culpa e a dissolver a rigidez interna que o aprisiona.”
O objetivo, diz Wildberger, não é blindar-se da vulnerabilidade, e sim transformá-la em aliada. “Não se trata de eliminar a dúvida, a vulnerabilidade saudável faz parte do amadurecimento emocional, o objetivo é transformá-la em consciência, não em paralisa.”

Passos práticos para virar a chave
Há atitudes simples que ajudam a quebrar o ciclo da autossabotagem:
- · reconhecer que o perfeccionismo é um medo disfarçado de competência;
- · celebrar pequenas vitórias e registrar o progresso;
- · evitar comparações, o caminho de cada um tem um tempo próprio;
- · permitir-se errar e aprender com os erros, sem se definir por eles;
- · buscar acompanhamento terapêutico para fortalecer a autoestima e o autoconhecimento.
Ao cultivar novos hábitos, a pressão por parecer impecável dá lugar à autenticidade. Como resume o psicoterapeuta: “Com o tempo, a pessoa passa a perceber que não precisa provar nada para ninguém, apenas viver de forma coerente com quem é”.
Para Wildberger, superar a Síndrome do Impostor é um movimento de reconciliação com a própria história: um caminho para alinhar o que fazemos ao que sentimos e resgatar um valor que sempre esteve ali, mesmo quando não o enxergávamos.


