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Submundo Ruidoso: Conheça a nova cena underground de São Paulo

Cada cena tem a sua ética. O cenário pós pandêmico gerou — em diversas consonâncias —, uma espécie de niilismo com o fim dos tempos. Após o pânico, o que pensar de nós quanto a espécie? 

Paredes de casa, telas brancas em monitores e chamadas virtuais foram o ambiente de uma parcela de pessoas que assistiram o auge e a queda da pandemia por conta da Covid-19. Ao pisar nas ruas de São Paulo após o caos, faróis de carros, prédios espelhados e sons industriais produziram nos jovens uma necessidade de se expressar. 

Se você andar pelo centro de São Paulo e tropeçar na calçada, muito provavelmente vai cair em casas pequenas com bandas que você nunca ouviu falar. 

Casas de shows essas que também são brechós, vendas de quinquilharias, circuito de artes independentes fluindo entre mobílias antigas que em sua extremidade têm um singelo espaço para fumo e um palco que celebra a música de uma geração. 

A cena se espalhou por São Paulo, apesar de ter começado no Rio de Janeiro a partir dos trabalhos de Alê Almeida à frente da banda Oruã, que foi anunciada no festival Lollapalooza 2026.

Espaços como o Escritório Transfusão receberam apresentações que são símbolo da cena como a da banda Glote/Drogma, Yuri e os Terráqueos e quedalivre.

A (con)fusão reflete o espírito. 

Já em São Paulo as bandas que pertencem ao circuito são a expressão de uma geração inconformada. Hipsters, punks (praticantes e não praticantes), CDFS, poetas e artistas independentes, alternativos e todo tipo de reflexo pós-contemporâneo se concretiza na cena que dá ao ruído a sua própria voz. 

É o caso do ‘Nigéria Futebol Clube’, uma das bandas mais respeitadas dentro da cena independente, formada por Conceição (bateria e vocais), Eduardo Linguisa (baixo), Rodrigo Silva (guitarra) e Derick Barbosa (trompete).

A fusão do ativismo político, improvisação e influências que vão do punk ao samba, dão a banda uma característica única e marcante. 

Sem medo de fazer música — e barulho —, a banda se lança em uma estética ruidosa e autêntica, dando as caras para um mundo em confusão e sintetizando no tema das músicas a expressão dos ambientes e da vida em grandes metrópoles.

“Conseguimos representar bem o caos de São Paulo”, afirma Rodrigo Silva, guitarrista da banda. “A gente tá aqui pra fazer diferente. Mostrar que o povo tem cara e autenticidade”, completou Eduardo Linguisa, baixista da banda.

Créditos: Willian Souto @_willian_souto

O resultado são shows que relembram uma experiência quase mística. O desenvolvimento da atmosfera geral do público se funde como uma peça temática de cada uma das músicas, tornando o show do Nigéria um evento especial e bastante específico.

Outra banda que se destaca na cena é a ‘Tubo de Ensaio’, formada por Lorena Wolthers (teclados), Lorenzo Zelada (guitarra e drum machine), Manú Cestari (vocalista), Francisco Barbosa (baixo), Gabriel Gadelha (sax) e Gabriel Ribeiro (bateria). 

O som é uma somatória de influências envolvendo o progressivo, jazz contemporâneo, Nova Vanguarda Paulistana e MPB setentista. Segundo a banda, “É tentando traduzir sentimentos específicos que brincamos com o som e a língua portuguesa de forma não literal, imprevisível e inusitada instigando a imaginação do próprio ouvinte. Pouca presunção, mas muita disposição a encarar a beleza do estranho e a estranheza do belo.” 

Créditos: Matheus Aleixo @aleixo.math

No palco, drum machines de confecção própria, distorções, vibrafones, solos de sax e performances teatrais tornam o repertório da banda em uma verdadeira experiência catártica. 

“Fazemos música como se estivéssemos em um laboratório experimentando diferentes elementos até obter reações químicas. No fim, somos apenas cientistas.”

A banda lançou o seu disco de estréia em 2025 e está disponível em todas as plataformas digitais.

A cena é repleta de bandas instrumentais. É o caso da banda ‘Vinco’ que tem Matheus Ayres (guitarra), Henrique Porto (guitarra e sintetizador), Hugo Ramalho (baixo) e Gabriel Ribeiro (bateria). O som da banda envolve improvisações e performances que remontam o math rock e o jazz de vanguarda. 

Foto: @wast3land

“As influências da banda são facilmente distinguíveis entre os membros quando  performamos ao vivo. Acho que cada um consegue impor suas vivências no jeito de tocar e nas referências que trazem pra banda”, pontua Gabriel Ribeiro, baterista da banda quando perguntado quais as influências que rondam a banda e a cena.

Atualmente a banda está com a produção de um novo disco que promete ter influências da nova vanguarda paulistana como Kiko Dinucci e uma sonoridade que reflete novas bandas como o ‘black midi’, ‘TOE’, ‘deerhoof’ e ‘tricot’.

O disco de estreia foi lançado em 2023. Um álbum repleto de camadas e particularidades. ‘sinestesia’ é o resultado de um trabalho independente com uma verdade circunscrita em cada um dos integrantes do quarteto. 

Já a ‘Sagrados Anônimos’ apresenta uma abordagem contemplativa e mais lenta, mas ainda com uma assinatura bastante característica. A banda tem Guilherme França (guitarra e voz), Felipe Crespo (baixo), Matheus Ayres (guitarra), Jônatas Marques (bateria e divulgador), Maria Luisa Tinoco (visuais e efeitos) e Kauã Nascimento (câmeras). 

Caracterizada pela baixa fidelidade juntamente com o flerte claríssimo entre ‘Duster’ e ‘Boogarins’, faz com que a banda soe palatável para pessoas que buscam por algo não tão ruidoso mas igualmente intenso. 

A cadência mais lenta reflete o som da banda que é bastante profundo e imprime em seu álbum ‘Atrelados’ uma sonoridade que se reconhece como indie mas sabe firmar os pés no território da autenticidade.

Foto: Kauã Nascimento @oh_kaua

“A transformação da Sagrados Anônimos de um projeto solo para uma simbiose com 6 integrantes, diversas pessoas envolvidas e produções que se expandem para a cena acontece exatamente nesse contexto de novas perspectivas de pós-pandemia e do ‘faça você mesmo’”, destaca a banda. 

Foto: Maria Luiza Tinoco @marialuisatinoco

Como uma espécie de missão, a banda também tem uma preocupação com o registro da cena, produzindo materiais audiovisuais e registrando shows de diversas bandas que se apresentam na cena.

“A gravação dos shows nesses eventos e o armazenamento na Sagrados Anônimos TV, um acervo no Youtube com registros de várias bandas da cena de SP e outros estados.”, afirma Jow, baterista da banda.

Com o aparecimento do fim dos tempos, produziu-se no âmago da juventude a expressão ruidosa e sentimental do mundo. O estranhamento se confunde com a beleza e nessas pequenas portas de casa de show, pode estar morando a sua futura banda favorita.

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