O transplante de rim é considerado o tratamento mais eficaz para quem tem insuficiência renal avançada. “O transplante renal é hoje a mais completa alternativa de substituição da função renal para pacientes com doença renal crônica em estágio avançado”, afirma a nefrologista Carlucci Ventura.
Quando os rins falham, o corpo não elimina toxinas e líquidos como deveria. Nessa fase, a pessoa precisa de diálise ou transplante para sobreviver. Segundo a médica, “o transplante é a melhor alternativa de tratamento para a maioria dos pacientes com doença renal crônica avançada, oferecendo a melhor chance de recuperar qualidade de vida e longevidade”. No Brasil, cerca de 170 mil pessoas fazem diálise regularmente, mas apenas cerca de 20% conseguem acesso ao transplante — um desafio que mantém a fila de espera em crescimento.
Como é a cirurgia e quem pode receber
O procedimento consiste em implantar um rim saudável, de doador vivo ou falecido, para substituir a função do órgão doente. O novo rim é colocado na pelve e conectado aos vasos sanguíneos e à bexiga. Na maioria dos casos, os rins comprometidos permanecem no corpo, sem função e sem causar problemas.
Antes da cirurgia, exames checam a compatibilidade entre doador e receptor, como tipo sanguíneo e testes do sistema HLA, para reduzir o risco de rejeição. Depois, é essencial usar medicamentos que “são indispensáveis para garantir a sobrevida do transplante”, diz Ventura. Ela lembra que esses remédios aumentam a vulnerabilidade a infecções, mas são a base do sucesso a longo prazo.
Avanços, resultados e desafios no Brasil
Nas últimas décadas, técnicas cirúrgicas mais seguras, melhor preservação dos órgãos e imunossupressores modernos elevaram os resultados. “Hoje, a sobrevida de pacientes após cinco anos do transplante ultrapassa 80% em centros de referência”, destaca a nefrologista. Com isso, muitos voltam ao trabalho, às atividades cotidianas e à vida social com independência. Além do impacto na vida do paciente, “o transplante também representa uma economia significativa para o sistema de saúde, já que o custo da diálise ao longo dos anos é superior ao de manter um paciente transplantado em acompanhamento”.
O Brasil é referência mundial em transplantes pelo sistema público e ocupa o segundo lugar no ranking global em número de cirurgias, atrás apenas dos Estados Unidos. Ainda assim, a fila é longa: mais de 40 mil pessoas aguardam um rim. A maioria dos órgãos vem de doadores falecidos, mas os transplantes com doadores vivos — geralmente familiares compatíveis — costumam trazer melhores resultados, com menor tempo de espera e maior durabilidade do enxerto. “Campanhas de conscientização sobre doação de órgãos continuam sendo fundamentais para ampliar o acesso”, reforça Ventura.
O horizonte também é promissor. “O futuro do transplante renal caminha para soluções cada vez mais personalizadas”, diz a especialista, citando pesquisas em xenotransplante, bioengenharia de tecidos e
impressão 3D de órgãos. Enquanto essas inovações avançam, a prioridade é diagnosticar cedo as doenças renais, ampliar o acesso ao tratamento e fortalecer as políticas de doação para que mais pessoas tenham a chance de recomeçar após um transplante.



