Treino de força após os 60 ajuda a evitar quedas e pode proteger o cérebro

Envelhecer com autonomia depende menos de “acumular anos” e mais de manter o corpo capaz de fazer tarefas simples, como levantar da cadeira, subir escadas e caminhar com segurança. Nesse cenário, o treino de força ganha um papel central a partir dos 60 anos, especialmente quando foca em pernas, glúteos e core.

O fisioterapeuta João Douglas Gil destaca que esse tipo de fortalecimento funciona como um investimento direto na independência. “Depois dos 60, o exercício deixa de ser estética e passa a ser estratégia de vida”, afirma.

Um dos motivos é a perda natural de massa muscular com o envelhecimento, conhecida como sarcopenia, que costuma afetar com mais intensidade os membros inferiores. Com menos força e menor capacidade funcional, atividades cotidianas passam a exigir mais esforço, e o risco de tropeços e quedas cresce.

Quedas, aliás, estão entre as principais causas de internações e perda de autonomia nessa faixa etária. Ao fortalecer pernas e quadris, o corpo tende a responder melhor a desequilíbrios, com ganhos de estabilidade e controle dos movimentos. “Ter pernas fortes é um ‘seguro’ contra quedas e perda de autonomia”, alerta o especialista.

Foto: Treino após os 60 anos/ Reprodução

Por que glúteos e core fazem tanta diferença

Apesar de serem um dos maiores grupos musculares do corpo, os glúteos frequentemente ficam “desligados” na rotina de muitas pessoas. Isso pesa na postura e na forma de andar, além de sobrecarregar articulações.

Segundo Gil, glúteos fortes ajudam a estabilizar a pelve e a coluna, protegem os joelhos e tornam a caminhada mais eficiente. “Glúteos fracos sobrecarregam a lombar, pioram dores e alteram o padrão de marcha”, explica.

Já o core vai além do abdômen: envolve músculos profundos da coluna, além de estruturas relacionadas à respiração e ao assoalho pélvico. Esse “centro de estabilidade” dá sustentação para o corpo se mover com segurança, reduzindo compensações e ajudando no equilíbrio.

O impacto pode chegar também ao cérebro. Exercícios que combinam força, estabilidade e coordenação exigem organização do sistema nervoso para executar movimentos com controle. “Cada exercício vira um treino além de físico, mas também neurológico”, afirma o fisioterapeuta, ao mencionar que a prática estimula fatores ligados à saúde cerebral, como proteínas associadas à neuroplasticidade e à memória.

Os efeitos ainda se estendem ao metabolismo. A massa muscular ativa ajuda no controle da glicemia e na sensibilidade à insulina, além de contribuir para a regulação hormonal e a redução de inflamação crônica, fatores associados à prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e perda funcional com a idade.

No aspecto emocional, a prática regular também costuma se refletir em mais disposição, melhor humor e autoconfiança. “Sentir-se capaz muda a forma como o idoso se enxerga no mundo”, destaca o especialista.

Para começar, a orientação é priorizar regularidade e segurança, não cargas altas. “Não se trata de levantar grandes cargas. Trata-se de estimular o corpo de forma regular, segura e orientada”, afirma. De acordo com ele, duas a três sessões por semana já podem trazer mudanças relevantes.

No fim, a mensagem é direta: envelhecer é inevitável, mas perder vitalidade não precisa ser. Fortalecer pernas, glúteos e core pode significar mais independência, menos dor, mais segurança para se movimentar e mais qualidade de vida ao longo dos anos.

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