A rua 25 de Março entrou na mira do governo dos Estados Unidos. Em um relatório oficial, o escritório do Representante de Comércio dos EUA incluiu o local entre os pontos críticos de venda de produtos falsificados, e acusou o Brasil de falhar na proteção da propriedade intelectual. O documento também menciona corrupção, tarifas desleais e até o impacto do desmatamento ilegal como parte da investigação comercial.
Na voz do povo, uma defesa contundente
Mas, nas calçadas da 25, a reação foi rápida e indignada. A Novabrasil conversou com frequentadores e trabalhadores da região. A maioria considerou injusta a crítica vinda de fora. “Ele tem que se meter no país dele”, disse uma comerciante. Outra trabalhadora, Carol, que atua há dez anos no local, destacou o papel social da rua: “pra quem vem de comunidade, aqui é o lugar onde se encontra preço acessível e coisa boa, sim”.
Patrimônio paulistano ou alvo internacional?
Mesmo com a presença de produtos importados da China, como brincou Heródoto Barbeiro durante a transmissão do Jornal Novabrasil, ao mostrar um “troféu do Oscar made in China”, a maioria dos entrevistados considerou exagerada a acusação americana. Muitos reforçaram o peso histórico e cultural da 25 de Março como símbolo de acesso, trabalho e diversidade econômica.
O que dizem as autoridades brasileiras
A UNIVINCO25, associação que representa os lojistas da região, afirmou que a maioria das lojas, mais de 3 mil, atua legalmente, e que pontos irregulares são alvos frequentes de fiscalização. A Prefeitura de São Paulo disse que realiza ações diárias no local, mas esclareceu que a análise sobre falsificação de produtos cabe à Receita Federal e aos órgãos de segurança. Já o governo estadual afirmou que só neste ano, mais de 3,4 milhões de itens falsificados foram apreendidos, totalizando 41 milhões desde 2023.
Entre trocas e troféus, a 25 segue viva
Apesar do peso da denúncia, quem anda por ali não vê ameaça ao funcionamento da rua mais movimentada de São Paulo. “A 25 é um patrimônio”, resumiu um dos entrevistados. E se depender do povo, nenhum presidente estrangeiro, nem mesmo um laranjão, vai conseguir colocar esse símbolo de comércio popular contra as cordas.



