As palavras que escolhemos são representações diretas dos nossos pensamentos e emoções. Embora isso pareça óbvio, é preciso observar com mais atenção o que é comunicado.
A psicóloga e pesquisadora Charlotte Entwistle mostrou, em estudos publicados nos últimos anos, que alguns padrões linguísticos podem ser indicadores de traços de personalidade e até da saúde mental. Mas como isso se aplica ao nosso dia a dia profissional?
Os artigos apontam que o uso frequente de palavras “absolutistas” – termos como sempre, nunca, completamente ou absolutamente – reflete o que chamamos de rigidez cognitiva.
A rigidez cognitiva é a dificuldade em mudar de opinião, em aprender, mesmo diante de evidências. No trabalho, isso se traduz em dificuldade de negociação. O profissional que diz “isso nunca vai funcionar” ou “está tudo errado” demonstra dificuldade em lidar com as nuances. É o pensamento do “tudo ou nada”, que fecha portas à inovação e ao diálogo e pode ser um sinal de alerta sobre a saúde mental de quem fala.
Outra característica marcante é a linguagem egocêntrica. Frases como “Eu isso” ou “Eu aquilo” em excesso geralmente estão conectadas a cargas emocionais extremas e provocam desconforto em quem escuta.
A ciência mostra que o foco excessivo no “eu” (eu fiz, meu projeto, eu posso) está frequentemente ligado traços de grandiosidade. Um líder que não substitui o “Eu” pelo “Nós” sinaliza desconexão com a equipe e fragilidade na empatia.
Charlotte também avaliou 67 mil posts de quase mil pessoas com transtorno mental. Os resultados mostraram as mesmas características: exagero, rigidez, absolutismo e negativismo.
Portanto, para você que acha que “não tem problema” postar tudo o que passa pela cabeça em um momento de emoção: cuidado. Isso é uma exposição enorme que demonstra falta de inteligência emocional e prejudica diretamente a sua imagem profissional.
É importante dizer: nenhuma palavra isolada revela a personalidade de alguém. Mas, quando esses comportamentos se tornam hábitos, eles passam a intoxicar o ambiente. A palavra nunca é neutra; ela sempre afeta quem fala e quem escuta. Fique atento!
A pergunta que eu deixo para você hoje é: sua comunicação está servindo como informação e conexão, ou virou um sintoma que fala por você? Pense nisso.



