Sabe aquela sensação de que você está falando “A” e a pessoa responde como se você tivesse dito “Z”? Se você já tentou sugerir uma melhoria no trabalho ou uma mudança de hábito em casa e ouviu de volta uma versão distorcida e exagerada do que propôs, você foi vítima da Falácia do Espantalho.
No mundo da comunicação, o “espantalho” é uma das táticas de manipulação mais comuns — e irritantes. Ela acontece quando alguém, por não conseguir (ou não querer) rebater seu argumento real, cria uma versão de palha dele: mais fraca, boba e fácil de derrubar.
Como o boneco é montado? O processo é quase sempre o mesmo:
- O Fato: Você diz: “Precisamos melhorar a oferta de transporte público na cidade.”
- O Espantalho: O outro rebate: “Então você quer proibir os carros e obrigar todo mundo a andar de ônibus lotado?!”
- O Ataque: A pessoa passa a criticar essa ideia absurda que ela mesma inventou, ignorando completamente o seu ponto original.
Por que isso é tão tentador?
É muito mais fácil vencer um debate contra um boneco de palha do que lidar com a complexidade da realidade. Discutir mobilidade urbana dá trabalho; atacar a “proibição dos carros” é um atalho emocional que gera cliques, palmas e uma falsa sensação de vitória.
No ambiente de trabalho ou nas redes sociais, o espantalho aparece para:
• Simplificar o que é complexo: Remove nuances e contextos.
• Desviar o foco: Em vez de discutir a solução, você perde tempo provando que “não foi isso que eu disse”.
• Polarizar: Transforma sugestões moderadas em posturas radicais.
Como não cair nessa armadilha?
Seja na reunião de condomínio ou na diretoria da empresa, a melhor defesa é a calma estratégica. Se perceber um espantalho sendo montado à sua frente, tente estes passos:
• Peça o “replay”: “Pode repetir o que você entendeu da minha fala?” (Isso expõe a distorção na hora).
• Reafirme o ponto central: “Não foi isso que eu propus. O que eu disse foi X, vamos focar nisso?”
• Recuse o rótulo: Não gaste energia defendendo a versão distorcida. Traga a conversa de volta para o trilho real.
Para se ter uma comunicação de qualidade você vai precisar ter coragem para ouvir o que o outro realmente disse e não ter vontade de ganhar o debate a qualquer custo. Então gente, vamos combinar: Menos espantalhos, mais diálogos reais.



