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Vladimir Herzog: 50 anos de um nome que simboliza coragem e democracia

Tanta coisa a dizer para aqueles que sumiram nas poeiras das ruas. Para que a pressa, Paulinho da Viola? Vladimir Herzog é um daqueles nomes que não se silenciam, mesmo após a repressão, ao assassinato e ao tempo. Há exatos 50 anos, o jornalista, cineasta e professor foi morto nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo, em um dos episódios mais marcantes da ditadura militar brasileira. Sua morte não foi apenas uma tragédia pessoal, mas o estopim para uma  reação coletiva, um grito contido que começava a se libertar das amarras do medo.

Herzog nasceu em 1937, na antiga Iugoslávia, em uma família judia que fugia do avanço nazista na Europa. Chegou ao Brasil ainda menino, trazendo na bagagem a esperança de um recomeço em terras livres. Cresceu acreditando no poder da informação como ferramenta de transformação social. Essa convicção o levou ao jornalismo, ao cinema e à sala de aula, espaços onde acreditava ser possível ampliar a consciência crítica e fortalecer a democracia.

Quando a repressão militar alcançava seu auge, Herzog dirigia o departamento de jornalismo da TV Cultura e lecionava na Universidade de São Paulo. O trabalho à frente de um telejornal plural e questionador chamava atenção de um regime controlador de narrativas. No dia 24 de outubro de 1975, ele foi chamado para “prestar esclarecimentos” sobre supostas ligações com o Partido Comunista Brasileiro, o PCB. No dia seguinte, apresentou-se espontaneamente, mesmo negando qualquer participação em atividades clandestinas. Horas depois, estava morto.

O falso suicídio de Herzog | Por Instituto Vladimir Herzog
O falso suicídio de Vladmir Herzog | Por Instituto Vladimir Herzog

A versão oficial declarava suicídio. Mas o corpo, as marcas de tortura e a própria posição em que foi encontrado desmentiam o relatório militar. O Brasil que vivenciava a escuridão do medo, viu nascer um raro momento de coragem coletiva. O rabino Henry Sobel, ao lado dos padres dom Paulo Evaristo Arns e Jaime Wright, se recusou a aceitar a farsa. O enterro de Vladimir Herzog, realizado com ritos religiosos plenos, o que a tradição judaica nega a suicidas, transformou-se num ato de resistência e num grito contra o silêncio.

A morte de Herzog ultrapassou a tragédia individual. Tornou-se marco de mobilização e denúncia, acendendo um movimento social e político que ajudou a pavimentar o caminho para o fim da ditadura. O jornalista passou a representar a memória de todos os que foram perseguidos, torturados e mortos por defender ideias democráticas.

Cinquenta anos depois, seu legado continua vivo. O Instituto Vladimir Herzog mantém acesa a chama da defesa dos direitos humanos, da liberdade de expressão e da memória histórica, lembrando que democracia não é um estado permanente, mas uma conquista diária.

O tempo passou, mas a história de Herzog ainda toca como um acorde que insiste em vibrar, mesmo depois do silêncio. Faz jus às palavras de Thiago de Mello “faz escuro mas eu canto, porque a manhã vai chegar”, para que nenhum outro Sinal Fechado ameace a democracia.

Vladimir e Clarice Herzog. Foto: Divulgação/Instituto Vladimir Herzog
Vladimir e Clarice Herzog. Foto: Divulgação/Instituto Vladimir Herzog

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