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‘Zona Zen’, de Rita Lee e Roberto de Carvalho, ganha relançamento especial em vinil vermelho

Lançado no final de 1988, “Zona Zen”, de Rita Lee & Roberto de Carvalho, ganha agora uma edição especial em LP vermelho marmorizado, pela Universal Music Brasil. Assim, o relançamento resgata um dos trabalhos mais densos e urbanos da dupla.

Na época, o álbum teve a missão difícil de suceder “Flerte Fatal”, disco colorido que dominou as paradas. No entanto, desde a capa, ficava claro que o caminho seria outro. Já as fotos em preto e branco anunciavam um clima mais introspectivo.

São Paulo como estética e conceito

Zona Zen é, acima de tudo, um disco paulistano. Nesse sentido, a capa foi fotografada diante de um muro grafitado na Rua Purpurina, na Vila Madalena. Além disso, o grafite é assinado por Mauricio Villaça, que reuniu uma turma de peso para a intervenção urbana.

Essa atmosfera, por sua vez, se reflete no som. O álbum é mais pesado, direto e urbano. Ao mesmo tempo, há menos festa e mais reflexão. Assim, nas letras, Rita Lee expõe sua visão de mundo com ironia e crítica social.

Letras afiadas e liberdade como tema central

A abertura com “Nunca Fui Santa” mistura autodeboche e autoterapia. Por exemplo, versos como “Sou nova demais pra velhos comícios / Sou velha demais pra novos vícios” sintetizam o espírito do disco.

Em seguida, “Independência e Vida” traz um olhar cansado sobre o mundo. Ainda assim, aponta a liberdade como saída. Além disso, o uso de palavrões camuflados surge como marca de quem enfrentou a censura durante anos.

Produção elegante e voz em destaque

O álbum é um belo registro da voz de Rita Lee, clara e cristalina. Ao mesmo tempo, a produção de Roberto de Carvalho é precisa e equilibrada.

Além de produzir, Roberto assume guitarras, violões, teclados, piano e a programação da bateria eletrônica. Rita, por sua vez, além dos vocais, toca autoharp, castanholas e kalimba. Dessa forma, o disco ganha riqueza de texturas.

“Livre Outra Vez” e o peso da dor

O maior sucesso do álbum é “Livre Outra Vez”. Por isso, a canção ganhou clipe gravado no centro de São Paulo, com cenas na Estação da Luz, nos trens e no topo do Copan.

A música é uma das mais doloridas da carreira de Rita. Curiosamente, trata-se da primeira versão de “Vírus do Amor”, lançada anos antes. Com a mudança de planos, uma nova letra transformou o sentido da canção.

Entre a melancolia e a leveza

A faixa-título, “Zona Zen”, é etérea e melancólica. Nesse clima, entre teclados sutis e castanholas, Rita dispara um verso antológico: “Saudade do futuro, eu juro”.

Por outro lado, “Cruela Cruel” é um soco. A canção escancara o desencanto com um mundo perigoso e insano. Em contraste, os momentos mais leves aparecem em “Sem Endereço” e “Cecy Bom”.

Um disco incompreendido que merece revisita

“Cecy Bom” era a faixa preferida de Rita no álbum. Segundo a própria artista, a canção é uma homenagem a Brigitte Bardot. Anos depois, a música ainda ganharia nova vida na trilha sonora da novela “Caras & Bocas”, da TV Globo.

Por fim, o disco se encerra com “Mana Mané”, inspirada no episódio conhecido como verão da lata, no fim de 1987. Embora tenha vendido menos que o antecessor, Zona Zen conquistou Disco de Ouro.

Assim, com o relançamento em vinil especial, este é o momento ideal para revisitar Zona Zen. Uma obra madura, urbana e, durante muito tempo, incompreendida. Uma joia da parceria entre Rita Lee e Roberto de Carvalho.

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