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Programa “Antes que Aconteça” já atendeu quase 700 mulheres na PB, destaca Camila Mariz

A entrevista foi exibida no Manhã TH+, onde a gestora apresentou dados, ações e desafios do programa, que está em funcionamento há menos de um ano no estado

Programa “Antes que Aconteça” já atendeu quase 700 mulheres na Paraíba, destaca Camila Mariz na TH+ SBT Tambaú
Foto: TH+ SBT Tambaú

A TH+ SBT Tambaú recebeu, na manhã desta terça-feira (16), a segunda-dama da Paraíba, Camila Mariz, coordenadora estadual do programa Antes que Aconteça, iniciativa voltada ao combate e à prevenção da violência doméstica contra a mulher. A entrevista foi exibida no Manhã TH+, onde a gestora apresentou dados, ações e desafios do programa, que está em funcionamento há menos de um ano no estado.

Segundo Camila Mariz, um dos principais eixos da iniciativa é a Sala Lilás, espaço de acolhimento humanizado para mulheres vítimas de violência. Entre março e novembro, as duas primeiras unidades, localizadas em João Pessoa e Campina Grande, já realizaram quase 700 atendimentos. “É um número que supera as nossas expectativas e mostra a dimensão do problema”, afirmou.

As Salas Lilás funcionam como porta de entrada para mulheres em situação de violência, oferecendo atendimento psicológico imediato, orientação social e encaminhamentos necessários. O ambiente foi pensado para ser acolhedor, diferente da estrutura tradicional de uma delegacia, e conta inclusive com espaço e brinquedos para crianças que acompanham as mães no momento da denúncia.

De acordo com a coordenadora, o Governo do Estado já garantiu orçamento para a implantação de 52 Salas Lilás, que serão distribuídas de forma estratégica em todo o território paraibano. A expansão depende apenas dos trâmites administrativos e processos de licitação. “Em apenas duas unidades, quase 700 mulheres foram atendidas. Isso mostra o quanto essa política é necessária”, destacou.

Durante a entrevista, Camila Mariz também abordou os dados relacionados ao feminicídio na Paraíba. Até o dia 11 de novembro, foram registrados 35 casos, e, segundo ela, nenhuma das vítimas possuía medida protetiva ativa. A informação contraria a percepção comum de que os crimes acontecem mesmo após denúncias formais. “Os estudos mostram que muitas mulheres não conseguem denunciar ou sequer se reconhecem como vítimas”, explicou.

A coordenadora ressaltou ainda que a violência doméstica é um problema estrutural e cultural, reconhecido inclusive pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma questão global. Dados internacionais apontam que o lar é o local mais inseguro para muitas mulheres, devido ao crescimento dos casos de violência praticados por parceiros ou ex-parceiros.

Outro eixo central do programa Antes que Aconteça é a educação. A iniciativa está sendo integrada à rede estadual de ensino, com ações voltadas a mais de 200 mil estudantes. A expectativa é que, direta e indiretamente, a mensagem de prevenção alcance cerca de 1 milhão de paraibanos. “É um trabalho de conscientização e desconstrução de uma cultura machista, que precisa começar cedo”, afirmou Camila.

A entrevista também abordou a importância de identificar sinais de abuso psicológico, moral e físico, além de reforçar que denúncias podem ser feitas de forma anônima. Atualmente, a Paraíba conta com 21 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, que atuarão de forma integrada às Salas Lilás, ampliando a rede de proteção em todo o estado.

Ao final, Camila Mariz destacou que o programa também chama atenção para a necessidade de amparo aos órfãos do feminicídio, lembrando que já existem políticas públicas nacionais voltadas a esse público, mas que o tema ainda exige ampliação e maior atenção do poder público.

“O compromisso é de toda a sociedade. A informação, a educação e a denúncia são fundamentais para que a violência seja interrompida antes que aconteça”, concluiu a coordenadora estadual do programa.

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