Um homem de 50 anos está internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande, Agreste paraibano, com suspeita de raiva humana. A informação foi confirmada pela Secretaria Municipal de Saúde, que destaca que o caso apresenta forte compatibilidade clínica com a doença, embora ainda aguarde confirmação diagnóstica.
Segundo a Secretaria, os primeiros sintomas surgiram no dia 10 de dezembro, e o paciente foi internado inicialmente em uma unidade hospitalar no dia 13. Com a piora significativa do quadro clínico, ele foi transferido para a UTI na segunda-feira (15).
Na admissão hospitalar, o homem apresentava agitação psicomotora, confusão mental, alteração do nível de consciência, aerofobia, falta de ar e queda na oxigenação do sangue. Diante do quadro de insuficiência respiratória aguda associada à instabilidade neurológica, foi necessária a intubação orotraqueal e o início da ventilação mecânica invasiva.
Atualmente, o paciente permanece em sedação profunda, com instabilidade da pressão arterial, sob monitorização contínua e acompanhamento de uma equipe multiprofissional. O estado neurológico é considerado grave, conforme boletim médico divulgado pela unidade.
Após a notificação do caso suspeito, a Diretoria de Vigilância em Saúde e o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS) acionaram imediatamente as medidas epidemiológicas e ambientais previstas nos protocolos. As equipes investigam um possível histórico de exposição a animal transmissor, como mordedura, arranhadura ou contato com mucosas, além de trabalharem para identificar o local provável da infecção.
O caso foi registrado no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e comunicado oficialmente ao CIEVS Estadual. A Secretaria Municipal de Saúde reforça que a raiva humana é uma doença de extrema gravidade e relevância em saúde pública, e que todas as ações seguem as diretrizes do Ministério da Saúde, com articulação entre os níveis municipal, estadual e federal.
O que é raiva e por que a suspeita preocupa
A raiva é uma zoonose viral causada por vírus do gênero Lyssavirus, transmitida principalmente por mordeduras, arranhaduras ou lambeduras de animais infectados. Trata-se de uma doença de extrema gravidade, com letalidade aproximada de 100% quando a infecção humana se torna sintomática, razão pela qual a detecção precoce e a profilaxia pós-exposição (PEP) são consideradas medidas essenciais de saúde pública.
Por isso, as autoridades enfatizam a importância de medidas preventivas: vacinação de cães e gatos, busca imediata de atendimento médico após qualquer agressão por animal (lavagem do ferimento com água e sabão e avaliação para PEP) e comunicação rápida às equipes de vigilância.
Na Paraíba, há duas notificações de raiva humana entre 2007 e 2020. Em 2015, foi notificado um caso confirmado envolvendo uma criança (sexo masculino, 1–4 anos) residente na zona rural de Jacaraú. A fonte de infecção não constava no registro disponível. Já em 2020, o caso confirmado foi em uma mulher, 68 anos, moradora da zona rural de Riacho dos Cavalos, com relato de mordida por raposa; ambos os pacientes evoluíram para óbito.
As recomendações à população, segundo a secretaria, são:
Evitar contato com animais silvestres e animais domésticos sem vacinação comprovada; Procurar atendimento imediato se sofrer mordida, arranhadura ou contato com saliva de animal, lavar o ferimento com água e sabão e buscar unidade de saúde pode ser decisivo; Manter a vacinação de cães e gatos em dia, conforme calendário do SUS.



