Operação Calvário: MP arquiva inquérito contra governador João Azevêdo

A medida foi adotada por ausência de elementos mínimos que sustentassem o oferecimento de denúncia.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
O governador João Azevedo (PSB) fez duas revelações administrativas de destaque durante entrevista ao programa Manhã Th+
Governador da Paraíba, João Azevêdo | Foto: Divulgação

Após análise no primeiro grau da Justiça estadual, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) decidiu pelo arquivamento do inquérito que investigava o governador João Azevêdo (PSB) no contexto da Operação Calvário. A medida foi adotada por ausência de elementos mínimos que sustentassem o oferecimento de denúncia.

Antes de chegar à Justiça comum, o procedimento tramitava no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em razão do foro por prerrogativa de função. Contudo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) aplicou o entendimento de que o foro especial se restringe a atos cometidos no exercício do cargo e em razão dele, o que levou à redistribuição do caso para a Justiça Eleitoral e para a Justiça estadual da Paraíba.

Na nova fase da apuração, o MPPB examinou cinco fatos remanescentes atribuídos ao governador, entre eles suspeitas de repasses financeiros irregulares, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Conforme o órgão, todas as imputações tinham como base exclusiva relatos de colaboradores premiados, sem a apresentação de provas autônomas que confirmassem as acusações.

A promotora de Justiça Gláucia Maria de Carvalho Xavier ressaltou que o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do STJ veda a validação de acusações sustentadas apenas por delações entre si, prática conhecida como “colaboração cruzada”, exigindo a existência de elementos externos de corroboração.

Ainda segundo o Ministério Público, mesmo com a realização de buscas e apreensões e a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, as diligências não revelaram indícios concretos da participação de João Azevêdo nos crimes apurados.

Os fatos investigados ocorreram entre 2018 e 2020, período em que o atual governador ainda não exercia o cargo, mas disputava as eleições estaduais. No conjunto mais amplo da Operação Calvário, que apurou um esquema de desvios de recursos públicos por meio de organizações sociais nas áreas de saúde e educação, a PGR chegou a levantar 11 hipóteses envolvendo o nome de João Azevêdo, parte delas já arquivadas anteriormente.

Com a decisão de arquivamento, o procedimento foi encerrado exclusivamente em relação ao governador. O Estado da Paraíba, apontado como possível vítima, ainda pode solicitar a revisão da medida no prazo legal de 30 dias, conforme prevê a legislação vigente.

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