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Josival Pereira
Josival Pereira
Josival Pereira, natural de Cajazeiras (PB), é jornalista, advogado e editor-responsável por seu blog pessoal. Em sua jornada profissional, com mais de 40 anos de experiência na comunicação, atuou em várias emissoras Paraibanas, como diretor, apresentador, radialista e comentarista político. Para além da imprensa, é membro da Academia Cajazeirense de Letras e Artes (Acal), e foi também Secretário de Comunicação de João Pessoa (2016/2020), Chefe de Gabinete e Secretário de Planejamento da Prefeitura de Cajazeiras (1993/1996).

Efraim tenta compensar falta de estrutura com o bolsonarismo e discurso mais radical de oposição

Não que ainda não houvesse adesão de Efraim ao bolsonarismo. Havia, mas ainda existia uma modulação, parecia menos escancarado.

Uma rodada de entrevistas com os três principais candidatos a governador no programa Manhã TH+, da TV TH+ SBT Tambaú
Foto: Reprodução/ TH+ SBT Tambaú

Ao participar da chegada da caminhada do deputado Nikolas Ferreira, em Brasília, no domingo, de forma ostensiva e dando larga divulgação, o senador Efraim Morais (União) manifestou de forma inequívoca sua adesão ampla, geral e irrestrita ao bolsonarismo.


Não que ainda não houvesse adesão de Efraim ao bolsonarismo. Havia, mas ainda existia uma modulação, parecia menos escancarado.


Funcionavam como moderador à necessidade de se apresentar com posições mais ao centro político na Paraíba (centro-direita) na tentativa de atrair o apoio do ex-deputado Cunha Lima e mesmo de ampliar a perspectiva de voto. Outro fator limitante, certamente, seria a disputa pelo controle de Federação Progressista (União Brasil e Partido Progressistas) na Paraíba. Assumir o bolsonarismo mais acaloradamente poderia gerar desconfianças nas legendas da federação.


O momento agora é, sem dúvida, de aprofundamento da opção escolhida e de acentuação de compromissos públicos. Observe-se, porém, que, na verdade, os planos de Efraim para a disputa do governo na Paraíba desde o final do primeiro semestre de 2025, ainda que de forma menos parente, estão vinculados ao bolsonarismo. Um tanto por razões ideológicas, mas, sobretudo, por razões pragmáticas. Não é difícil de entender.


Em julho, quando, repentinamente, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro apareceu na Paraíba para declarar apoio à sua pretensão, o pragmatismo de Efraim se fez notar na necessidade urgente de consolidar, independente de outras forças políticas, a candidatura a governador.


À época, Efraim dividia com o ex-deputado Pedro Cunha Lima a possibilidade da candidatura. Ambos repetiam o discurso do “pode ser eu ou pode ele”. Pelo visto, o senador parece ter percebido naquele instante que o lenga-lenga poderia esticar no tempo e abreviou sua decisão. O bolsonarismo adotou seu projeto de candidatura sem vacilação. Agora, ao radicalizar a mistura com o bolsonarismo, o pragmatismo de Efraim se revela na necessidade de acentuar contornos ao discurso, assegurar alianças e criar alternativa de filiação (PL) para o caso de perder o controle da Federação União Progressista.


Em verdade, os principais eixos da plataforma de campanha de Efraim foram se plasmando ao longo de 2025 premidos invariavelmente pelas circunstâncias do pragmatismo e o bolsonarismo foi se impondo quase sempre como a alternativa mais próxima e adequada.


O discurso escolhido é o conservador liberal. Vai misturar as pautas de costumes com a defesa dos segmentos produtivos.


A estratégia principal é apostar na polarização entre o bolsonarismo e o lulismo na campanha presidencial, na tentativa de também dividir o Estado, esperando se beneficiar com um dos lados polarizados. Por isso, toda caminhada rumo ao bolsonarismo mais radical faz sentido.


A opção também se explica pela falta de estrutura de campanha. Os dois outros principais candidatos – Lucas Ribeiro e Cícero Lucena – contam com fortes estruturas locais de partidos e de poder, restando a Efraim, segundo sua lógica, tão somente se juntar a uma grande estrutura de campanha nacional.


O discurso local de Efraim tem tudo a ver com esse problema da falta de estrutura política. Pragmaticamente, ele demonstra ter optado por fazer oposição radicalizada, com discurso crítico um tanto contundente, ao governador João Azevedo e ao prefeito Cicero Lucena, buscando evitar virar recheio do sanduíche da rivalidade política estadual da ocasião. Sem a estrutura dos concorrentes, não tem como disputar, com paridade de armas, apoios de deputados, prefeitos e lideranças municipais ou investir em na atração de segmentos sociais importantes. O discurso mais forte de oposição é a aposta de compensação.


Nesse ponto, mais uma vez, a ligação mais estreita com o bolsonarismo se explica. Existe a tendência de que os outros dois candidatos acabem apoiando a candidatura do presidente Lula em maior ou menor grau no Estado, sobrando para Efraim a possibilidade de atrair o eleitorado da direita conservadora.


Em suma, o “foguete” tenta decolar impulsionado pelo discurso conservador mais radical, o ativo da militância aguerrida do bolsonarismo e um discurso mais contundente de oposição contra o governo do Estado, já com Lucas Ribeiro no governo, ao prefeito Cícero Lucena e tentando se inserir como o novo no processo de disputa estadual. Os outros esquemas, pelas alianças praticamente montadas, seriam o “velho” na disputa.


Esse é o plano. Falta agora combinar com o eleitor

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