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Josival Pereira
Josival Pereira
Josival Pereira, natural de Cajazeiras (PB), é jornalista, advogado e editor-responsável por seu blog pessoal. Em sua jornada profissional, com mais de 40 anos de experiência na comunicação, atuou em várias emissoras Paraibanas, como diretor, apresentador, radialista e comentarista político. Para além da imprensa, é membro da Academia Cajazeirense de Letras e Artes (Acal), e foi também Secretário de Comunicação de João Pessoa (2016/2020), Chefe de Gabinete e Secretário de Planejamento da Prefeitura de Cajazeiras (1993/1996).

Mudança de postura das novas lideranças e a velha prática política na Paraíba

Os políticos mais velhos estão saindo de cena ou ocupando espaços mais periféricos e os mais novos começando a ocupar o proscênio do poder

Foto: Reprodução/Internet

Como avaliar as três primeiras semanas das gestões do governador Lucas Ribeiro (PP) e do prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB)? Mudou ou vai mudar alguma coisa na política estadual?

Talvez seja necessário, inicialmente, se firmar que circunstâncias históricas e da conjuntura política impedem apostas em mudanças mais profundas em concepções administrativas e de opções programáticas e de políticas públicas. Nesse campo, a gestão do Estado pode até sofrer algum retrocesso, já que sai um gestor com clara orientação de centro-esquerda e entra outro com raízes em partido da direita. Ainda assim, se houver mudança de orientação ideológica, não deverá ser nada substancial porque as alianças políticas, tanto no Estado quanto no município, permanecerão com o mesmo escopo.

Outro fator inibidor de mudanças mais profundas diz respeito à origem familiar dos novos gestores e de seus entornos, pendurada nas tradicionais e conservadoras árvores da genealogia do Estado.

Observe-se, porém, que, apesar desse preambulo pouco esperançoso, existe uma mudança que pode promover alterações até significativas na política estadual.

A mudança em curso, de forma até avassaladora, é a geracional. Os políticos mais velhos estão saindo de cena ou ocupando espaços mais periféricos e os mais novos começando a ocupar o proscênio do poder.

O novo governador, Lucas Ribeiro, tem 36 anos; o prefeito Leo Bezerra está com 42 anos; o prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, com 36 anos; o deputado Hugo Motta tem 36 anos; o ex-deputado Pedro Cunha Lima, um dos principais líderes da oposição, tem 37 anos, e o irmão Diogo, que pode ser candidato a vice-governador na chapa de Cícero Lucena, está com 41 anos; o senador Efraim Morais fez 47 anos agora em abril. Do grupo que exerce cargos importantes ou podem disputar cargos relevantes, os mais antigos são o ex-governador João Azevedo (72 anos), Cícero Lucena (68), Nabor Wanderley (61) e Marcelo Queiroga (60 anos).

O detalhe é que os dirigentes dos cargos políticos mais importantes do Estado (governador, prefeitos de João Pessoa e Campina Grande), além do presidente da Câmara dos Deputados, são millennials, ou seja, nasceram e cresceram já na era tecnológica o que implica considerar que têm nova visão e vivência com o mundo.

Essa realidade pode ser a razão de alguns fatos dos últimos 20 dias, que parecem pequenos, mas, em verdade, são bastante significativos. O governador Lucas Ribeiro telefonou para o prefeito Leo Bezerra logo que ele tomou posse e colocou o governo à disposição da Prefeitura da Capital para parcerias; declarações neste sentido já foram repetidas duas outras vezes, além de que os dois foram flagrados conversando e rindo à solta numa solenidade; o prefeito Leo Bezerra tem garantido que nada vai atrapalhar a relação de parceria com o governo do Estado; o governador também se dispôs a estabelecer parcerias com a Prefeitura de Campina Grande e o prefeito Bruno Cunha Lima, apesar das rivalidades campinenses, elogiou a primeira-dama do Estado, Camila Mariz, nas redes sociais e disse que ela tinha seu respeito; e o deputado Pedro Cunha Lima elogiou o governador Lucas Ribeiro pela iniciativa de implantar um parque sensorial para autistas na Granja Santana.

Esses pequenos gestos e atitudes parecem insignificantes, mas não são. Eram praticamente impossíveis na história recente da Paraíba. O que se tem aí são políticos de diferentes partidos, grupos e famílias políticas trocando gentilezas, elogios e se oferendo para o compartilhamento de parcerias. Há uma enorme e significativa mudança de postura, quase uma revolução se se considerar as relações políticas no último meio século na Paraíba.

Sirva-se um rápido coquetel como amostra: o governador Wilson Braga foi acusado de mandar matar o empresário e jornalista Paulo Brando Cavalcanti; o governador Tarcísio Burity, em seu segundo governo, se desentendeu com praticamente todas as forças políticas do Estado; no cargo, o governador Ronaldo Cunha tentou matar o ex-governador Burity a tiros; as famílias Mariz a Gadelha alimentaram por décadas uma radical rixa política em Sousa, assim como haviam enfrentamentos entre grupos políticos e diversas outras regiões do Estado; o ex-governador José Maranhão e a família Cunha Lima racharam politicamente e sustentaram uma verdadeira guerra pelo poder estadual por mais de década, entre outras ranhas; o governador Cássio Cunha Lima manteve o enfrentamento com Maranhão e ainda se confrontou com o jornal Correio da Paraíba e o empresário Roberto Cavalcanti, e o governador Ricardo Coutinho alimentou confrontos verbais com praticamente todos os grupos políticos do Estado, com ataques quase permanentes.

O rápido resumo de acontecimentos das últimas décadas revelam na verdade um modo de fazer politica no qual o adversário é tratado como inimigo a ser abatido ou diminuído de todas as formas. Era o jeito de dividir e fidelizar os partidários para tentar manter o poder. A lógica é a do antigo coronelismo, que se revestiu de modernidade e se prolongou no tempo.

É cedo ainda para avaliar, mas as novas lideranças políticas parecem desprovidas do velho sentimento de rixa que adubava o ódio político e empurrava a disputa democrática para infindáveis confrontos pessoais e grupais. A cizânia e as contendas sem tréguas da velha política prejudicaram e muito atrasaram a Paraíba.

A torcida é para que esses gestos e atitudes dos últimos dias na politica estadual se efetivem e se prolonguem no tempo. O anseio natural é que a mudança de postura se estabeleça como nova prática política na Paraíba. Parece pouco, mas o Estado ganhará muito.

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