Vanessa Pedrosa: “A mentira descarada. Por que aceitamos e reproduzimos mentiras políticas?”

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No cenário político, a mentira raramente é um erro, ela é uma escolha estratégica. A mentira é usada como um atalho para ganhar a atenção e provocar emoção em você.

Mas como essa mentira aparece no discurso? Ela aparece com explicações simples, por meio de omissões ou blefes. A mentira também aparece na falácia do espantalho, que eu já expliquei na coluna anterior.

Na política, usa-se também a meia-verdade.

Políticos mentirosos são ótimos atores. É fácil saber quem são. Eles falam direto para a câmera, são enfáticos, se autoelogiam e criam uma performance mitológica
Eles também repetem mentiras até que elas se tornam realidade.

Quer um exemplo: Se o número apresentado não favorece o político, ele para de falar de economia e passa a falar de “valores” e “família”, desviando o foco da nossa razão para a nossa emoção. Se a atitude dele foi inadequada, ele joga outro argumento como: “você não fala do crime organizado”. Note que os dois pontos são importantes para o discurso social, mas ele criou uma bifurcação na conversa e esvaziou os dois temas. O mais alarmante, porém, é porque aceitamos e normalizamos isso.

Psicologicamente, as pessoas preferem a mentira que confirma o que já acredita do que a verdade que confronta seus pensamentos. É a chamada dissonância cognitiva. Além disso, vivemos uma fadiga de indignação. De tanto sermos bombardeados por discursos vazios, paramos de questionar. Normalizamos os absurdos. A normalização acontece com argumentos como: “ele rouba, mas faz”, usa argumento bíblico “Quando Caim matou Abel”, usa frases óbvias para distorcer um fato: “Qualquer objeto pode ser usado para o mal”.

Essas falas se tornam cotidianas ou viram memes e ele sempre tem benefícios. Esse tipo de “político” mentiroso profissional sabe que raramente será punido, mas se for, não tem problema. O estrago da fala dele já alcançou seu objetivo! E é isso que a eles interessa!

Então, como lidar com isso? Você precisa ter responsabilidade intelectual e cívica. Não escolha o político apenas por um posicionamento geral ou por representação partidária. Escolha pelo caráter. Desarme o efeito que ele tem sobre a sociedade não compartilhando suas mentiras.

Quebre o Ciclo de Atenção. O mentiroso político sobrevive de audiência, não importa se é de palmas ou de vaias. Não compartilhe o absurdo. Tire nome do político mentiroso dos holofotes.

Verifique as notícias e não reproduza

Em resumo, se você não tem o microfone para contestar, você tem o filtro para não absorver e a caneta para, no momento certo, deletar essa influência da sua vida pública. Como mencionei antes, o mentiroso morre quando perde a audiência.

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