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Heródoto Barbeiro: “Uma mulher no comando do Brasil”

O Brasil é um país machista. Esta frase é repetida ao longo da história. Em alguns momentos com intensidade. Em outros, simplesmente desaparece. O fato é que o machismo se instala no Brasil, fruto da colonização portuguesa. Desde o período colonial, raramente as mulheres tiveram chances de ser protagonistas do país.

O senhor de engenho tinha o poder de vida e morte sobre seus escravos, filhos e… esposa. A tradição atravessa os séculos ainda que atenuada pela aprovação de leis que garantem, pelo menos, a integridade física da mulher. Durante pelo menos três séculos elas ficam afastadas da atividade política e, consequentemente, do poder.

Os partidos políticos levam pelo menos cem anos para abrir caminho para a participação de mulheres. Ainda assim, com uma série de interpretações, o que faz a representação feminina ser mais simbólica, mais fingindo que se cumpre a lei e menos um caminho aberto para a cidadania. É verdade que há honrosas exceções, principalmente no Poder Legislativo. Já no Executivo os obstáculos são maiores e boa parte dos políticos homens duvida que uma mulher tenha força e disposição para dirigir uma cidade ou estado.

No governo central, nem pensar. A pressão para que haja igualdade sexual no Parlamento é coisa recente – e parece muito mais uma concessão do que uma conquista feminina. Mas há exemplos no mundo. No Reino Unido, elas lutaram e conseguiram o direito de voto só no século 20.

A Constituição do Brasil diz que na ausência do chefe do Poder Executivo deve assumir seu parente mais próximo. Mesmo que seja uma mulher. A aristocracia agrária não vê isso com

bons olhos, mas crê que o seu cônjuge pode, de fato, dirigir os destinos do país. A mulher do imperador Pedro II está doente e o casal imperial parte para a Europa. Assume o poder no lugar dele sua filha, a Princesa Isabel, em 1871.

É a primeira de uma série de ausências do imperador. Isabel é a primeira mulher a assumir o comando do Brasil, em pleno século 19. Só compete com a Rainha Vitória, do Reino Unido. Em 1888 ela está novamente no poder. Há quem diga que foi uma armação para não desgastar Pedro II. Ela assina a Lei Áurea, que acaba com a escravidão no Brasil. E derruba o Império.

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