Brega romântico raiz em 5 faixas; confira especial

Quem nunca sofreu ouvindo um brega tá vivendo errado. O brega romântico – ou a famosa sofrência! – é uma das expressões mais legítimas, viscerais e cinematográficas da nossa música. É o sentimento puro, sem filtro e sem vergonha de sofrer.

Ele não pede licença; ele arromba a porta da frente, senta no sofá e bota o dedo na nossa ferida mais exposta. 

Hoje, vamos conhecer cinco músicas que são o supra-sumo do brega romântico, aquele que aperta o coração e não pede licença. Se você nunca lavou os pratos chorando, ou pegou uma estrada com o vidro aberto cantando um desses refrões a plenos pulmões, está vivendo a MPB pela metade.

Pera que caiu até uma lágrima aqui!

1 – Diana – Ainda Queima a Esperança (1971)

Escrita por Raul Seixas (ainda assinando como Raulzito) e Mauro Motta – mostrando que o brega e o rock bebiam da mesma fonte – essa faixa é o retrato da melancolia elegante (Diana, aliás, sempre rejeitou o termo “brega”. Ela defendia uma estética de “música romântica sofisticada”).

A cantora entrega uma interpretação sofrida, mas cheia de dignidade. Sabe aquela fase do término onde a ficha já caiu, mas o coração se recusa a aceitar? É sobre isso. A voz cristalina de Diana flutua sobre uma base instrumental grandiosa, transformando a “esperança que queima” em um hino de persistência amorosa.

2 – Odair José – Eu Vou Tirar Você Desse Lugar

Odair José sempre foi o cronista da realidade do povo, e aqui ele constrói uma narrativa quase cinematográfica de um amor incompreendido pela sociedade. O artista ousou cantar o amor por uma garota de programa em plena ditadura militar, tornando-se o terror do sistema.

A música quebra tabus e é uma mistura de romantismo idealizado com a crueza do cotidiano e os arranjos lembram o rock de Neil Young, mas com o sentimento do interior do Brasil.

3 – Reginaldo Rossi – Quando Você Foi Embora

O Rei do Brega não poderia faltar. Se em “Garçom” Reginaldo Rossi está no bar, aqui ele está no quarto vazio, encarando a ausência de alguém que partiu.

Aliás, a elegância do arranjo dessa canção – com influência direta dos anos 60, adaptada para o clima de boate e salão – prepara o terreno para aquele que viria a ser o Rei do Brega.

Rossi tinha o superpoder de transformar o abandono em poesia popular imediata. A música transborda aquela sensação de desespero que bate logo após a partida, onde o ambiente parece gritar o nome da pessoa amada. É o brega em seu estado mais puro: teatral, intenso e dolorosamente sincero.

4 – Nelson Ned – Eu Também Sou Sentimental

Você nunca sofreu de verdade até escutar Nelson Ned. Ele leva a dor de cotovelo a sério!

Ned tinha uma das vozes mais potentes e dramáticas da história da música mundial (não à toa, arrebatava multidões na América Latina e é um dos poucos artistas brasileiros a lotar estádios e teatros lendários como o Carnegie Hall).

Essa música é um manifesto de defesa do direito de ser brega. Ele assume a fraqueza, o choro e o excesso de amor sem nenhum pudor. O arranjo de cordas e a imponência do seu vocal transformam a “sentimentalidade” em algo monumental. Ouvir Nelson Ned é um evento catártico.

5 – Fernando Mendes – Você Não Me Ensinou a Te Esquecer

Uma composição tão poderosa, que cruzou a barreira do gênero, tornando-se famosa também na voz de Caetano Veloso, mostrando que o brega raiz é a base de toda música romântica que o Brasil produz até hoje.

Esta é uma das melodias mais perfeitas e melancólicas da música brasileira. Fernando Mendes canta com um nó na garganta que é quase palpável. A letra aborda o desamparo de quem foi deixado sem um “manual de instruções” para seguir em frente. É o retrato do vazio cotidiano. 

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