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Ex-governador deixa presídio para cumprir prisão domiciliar, em Manaus

Foto: Reprodução / Veja

Preso
em caráter temporário na
última quinta-feira (21), durante a Operação Estado de Emergência,
da Polícia Federal (PF), o ex-governador do Amazonas, José Melo,
deixou hoje (27) o Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM
II), em Manaus.

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Segundo
a secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap), Melo
deixou a unidade prisional por volta das 9h30. Acusado de integrar um
suposto esquema criminoso, investigado pela acusação de desvio de
recursos públicos da área da saúde, Melo foi beneficiado por uma
decisão do juiz plantonista Ricardo Salles, da Justiça Federal no
Amazonas. Ontem (26), o magistrado converteu a prisão temporária do
ex-governador em domiciliar.

Além
de Melo, foram soltos os ex-secretários estaduais Afonso Lobo
(Fazenda) e Wilson Alecrim (Saúde), detidos sob a acusação de
participar do mesmo esquema de desvio de recursos públicos.

Melo
teve o mandato
cassado
 em maio deste ano, por compra de votos nas eleições
de 2014. Na semana passada, a Justiça Federal no Amazonas autorizou
sua prisão temporária por suspeita de corrupção, lavagem de
dinheiro e organização criminosa. Além de prendê-lo, na
quinta-feira (21), a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em
imóveis residenciais e comerciais da região metropolitana de Manaus
ligados aos investigados.

Em
nota, o MPF informou haver “fortes indícios” de que o
ex-governador recebeu recursos ilícitos do esquema investigado sob
suspeita de desviar pelo menos R$ 50 milhões em recursos públicos
por meio de contratos com organizações não-governamentais (ONGs).
De acordo com o MPF, as organizações eram selecionadas para
administrar estabelecimentos públicos de saúde no Amazonas, como a
Maternidade Enfermeira Celina Villacrez Ruiz, em Tabatinga, e o
Centro de Reabilitação em Dependência Química, em Rio Preto da
Eva.

Relatório
fornecido pelo Ministério da Fazenda, segundo o MPF, mostra que a
movimentação financeira do ex-governador era incompatível com sua
renda e sugere práticas suspeitas, como a realização de frequentes
saques em dinheiro em contas receptoras de transferências
eletrônicas de várias origens, além de movimentação de grandes
quantias em benefício de terceiros.

Nota
técnica do Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da
União (CGU) aponta indícios de que o aumento do patrimônio pessoal
do ex-governador é incompatível com o quanto ele ganhava à época.
No período, José Melo adquiriu um imóvel avaliado em cerca de R$ 7
milhões, além de ter reformado seu sítio.

O
Ministério Público afirma ainda que as investigações apontam que
o ex-secretário estadual de Administração e irmão do
ex-governador, Evandro Melo, atuou como uma espécie de
intermediário. Evandro Melo foi preso no último dia 13 na Operação
Custo Político, que apura o envolvimento de agentes públicos em
esquema de pagamento de propina com recursos públicos destinados à
saúde do estado. Outros 11 investigados também foram presos na
ocasião, acusados de receber ao menos R$ 20 milhões em propina.

A Agência
Brasil não
conseguiu contato com os advogados de José Melo e dos ex-secretários
Afonso Lobo e Wilson Alecrim.

Com informações de Agência Brasil.

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