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De um milagre em Roma ao coração da Paraíba: a história da Festa das Neves, símbolo da fé e origem de João Pessoa

No centro de João Pessoa, a movimentação intensa dos fiéis e o som das barracas ecoam pela Rua General Osório, misturando o sagrado e o popular em uma tradição secular que resiste ao tempo: a Festa das Neves. O que hoje é uma das maiores celebrações religiosas e culturais da Paraíba, com shows, parque de diversões e atividades populares, nasceu de uma devoção que atravessou o oceano Atlântico no século XVI — e está diretamente ligada ao surgimento da capital paraibana.

Neste ano, a cidade celebra 440 anos de fundação, comemorados no dia 5 de agosto, mesma data dedicada a Nossa Senhora das Neves, padroeira de João Pessoa e protagonista dessa história que começa muito antes da cidade ter esse nome.

Um milagre nevado no verão romano

A origem da Festa das Neves remonta ao século IV, em Roma, onde um casal nobre e sem filhos pediu à Virgem Maria um sinal divino para construir uma igreja. Segundo a tradição cristã, em pleno verão europeu, no dia 5 de agosto, uma nevasca caiu sobre o monte Esquilino, indicando o local onde a igreja deveria ser erguida. Ali nasceu a Basílica de Santa Maria Maior, uma das mais importantes igrejas dedicadas à Virgem no mundo católico.

Catedral Basilica Nossa Senhora Das Neves foto reproducao instagram

(Foto: Reprodução/Instagram)

Esse evento miraculoso deu origem ao culto de Nossa Senhora das Neves, ou Madonna della Neve, como é conhecida na Itália. Com a expansão do catolicismo e das missões colonizadoras, a devoção chegou às Américas — e fincou raízes fortes no Nordeste do Brasil.

A fundação da cidade sob o nome da santa

Quando os colonizadores portugueses chegaram ao território onde hoje está João Pessoa, em 1585, encontraram um ponto estratégico entre o litoral e os rios, ideal para estabelecer um entreposto comercial e militar. A fundação oficial do povoado ocorreu no ano seguinte, em 5 de agosto de 1586, e, como era costume na época, foi batizado com o nome da santa do dia no calendário litúrgico católico: Cidade Real de Nossa Senhora das Neves.

Junto à fundação, ergueu-se também a primeira capela em homenagem à padroeira, feita de taipa. Com o passar dos séculos, o templo original deu lugar à atual Basílica de Nossa Senhora das Neves, localizada na Praça Dom Ulrico, hoje tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico da Paraíba (Iphaep).

Você sabe a origem da invocação 'Nossa Senhora das Neves'?

Você sabe a origem da invocação 'Nossa Senhora das Neves'? (Foto: Reprodução/ Terra)

Assim, a devoção à santa passou a ser parte indissociável da história da cidade. “A escolha do nome da padroeira foi simultânea à ocupação oficial da terra. A cidade nasce sob o signo da fé e da proteção mariana”, explica o historiador Wanderson Alberto, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

A Festa das Neves e o duplo símbolo: fé e fundação

A primeira edição da Festa das Neves teria acontecido ainda no século XVI, com missas e rituais religiosos para marcar a data de fundação da vila. Ao longo do tempo, a celebração ganhou força com a construção da igreja matriz e, posteriormente, com o fortalecimento das estruturas urbanas e políticas da cidade.

Hoje, a Festa das Neves é tanto uma homenagem religiosa quanto um marco da identidade histórica de João Pessoa. A celebração reúne tradições católicas, cultura popular e manifestações artísticas em uma mistura que representa o próprio caráter plural da capital paraibana.

Um evento que une passado e presente

A edição de 2025 da Festa das Neves começou no final de julho e se estende até esta terça-feira, 5 de agosto, com uma programação que reflete as duas faces do evento: o sagrado e o profano.

Na parte religiosa, a Paróquia de Nossa Senhora das Neves organiza missas, procissões e apresentações de grupos católicos como Padre Nilson Nunes e a Banda Colo de Deus. No plano cultural, a Prefeitura de João Pessoa é responsável por atrações como feiras de artesanato, exposições artísticas, desfile de carros antigos, além de shows musicais no Parque Solon de Lucena e no Busto de Tamandaré — com destaque, neste ano, para a apresentação de Roberto Carlos no encerramento, na noite do dia 5.

O Palco de Cultura Popular, montado na Lagoa, reforça a valorização da tradição nordestina com apresentações de cavalos marinhos, grupos folclóricos, cordelistas e bandas de pífano, mantendo vivas as raízes culturais da cidade.

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