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10 curiosidades sobre Jards Macalé

Cantor, compositor, instrumentista, arranjador, produtor e ator, Jards Macalé nunca foi um artista óbvio. Ao contrário: sua trajetória é marcada por inquietação, estudo profundo, escolhas estéticas radicais e uma presença decisiva em alguns dos momentos mais importantes da música popular brasileira, especialmente nas décadas de 1960 e 1970.

Com uma obra que transita entre a formação erudita e o batuque do morro, Macalé ajudou a moldar a sonoridade de uma geração,  muitas vezes nos bastidores – como diretor musical e arranjador – outras tantas à frente do palco, com canções que se tornaram hinos.

Com mais de 20 discos lançados, Jards Macalé construiu uma trajetória singular: inquieta, autoral e profundamente comprometida com a arte. Um artista que nunca foi apenas intérprete do seu tempo: foi também um de seus arquitetos.

Hoje – 03 de março – o artista que nos deixou em novembro passado, aos 82 anos, faria aniversário. A seguir, reunimos 10 curiosidades que revelam bastidores, encontros e histórias que ajudam a dimensionar a importância desse nome fundamental da nossa cultura.

1 – Seu sobrenome verdadeiro não é Macalé

Jards Macalé nasceu Jards Anet da Silva. O apelido “Macalé” veio das peladas na areia de Ipanema: era o nome do pior jogador do Botafogo na época e foi associado ao artista por conta de sua irregularidade nas partidas que eram disputadas informalmente na areia da praia de Ipanema, bairro carioca em que foi morar na infância. O que começou como brincadeira virou sua marca!

2 – Cresceu entre a força do batuque do morro e o erudito

Macalé nasceu na Tijuca, nas imediações do Morro da Formiga, e cresceu ouvindo os batuques do morro e também os foxes, valsas e modinhas tocados pela mãe, ao piano, e pelo pai, ao acordeom. Essa mistura ajudou a moldar a sonoridade sofisticada, complexa, ousada  e visceral que marcaria sua obra.

Na adolescência, formou seu primeiro grupo musical, o duo Dois no Balanço, depois integrou o conjunto Fantasia de Garoto, que tocava jazz, seresta e samba-canção. Estudou piano e orquestração com o maestro Guerra Peixe, violoncelo com Peter Dauelsberg, violão com Turíbio Santos e Jodacil Damasceno e análise musical com Esther Scliar. 

3 – Sua primeira música gravada foi na voz de Elizeth Cardoso

A primeira composição de Jards Macalé registrada em disco foi a canção “Meu Mundo É Seu”, na voz da cantora Elizeth Cardoso, em 1964, no álbum “A Meiga Elizeth nº 5”. Ou seja, nosso aniversariante do dia começou a discografia pelas mãos de uma das maiores intérpretes do país, a mesma que foi a primeira a gravar“Chega de Saudade”, canção de Tom JobimeVinicius de Moraesque foi o ponto de partida do movimento da Bossa Nova no país, em 1958.

4 – Esteve no centro dos espetáculos de resistência dos anos 60

Na época em que teve a sua primeira canção gravada, Macalé também atuava como violonista dos espetáculos músico-teatrais de protesto e resistência do Grupo Opinião, que produziu o antológico show “Opinião”, com Zé Keti,João do ValeeNara Leão, dirigido por Augusto Boal.

Nara foi a segunda a gravar uma canção do artista, em 1966, em seu álbum “Nara Pede Passagem”: a música “Amo Tanto”.

Jards Macalé também participou de outro importante espetáculo dirigido por Boal: “Arena Canta Bahia”, ao lado de jovens artistas que também se tornariam gigantes da MPB: Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Gal CostaeMaria Bethânia, todos em início de carreira.

5 –  A relação com Maria Bethânia

Quando Nara Leão deixou o show “Opinião” por problemas nas cordas vocais, foi a jovem baiana Maria Bethânia que assumiu o posto. O espetáculo a lançou ao estrelato, aos 19 anos. Macalé, além de acompanhá-la em shows, chegou a hospedá-la no apartamento de sua família no Rio de Janeiro por um tempo e dirigiu alguns de seus primeiros espetáculos.

6 – Uma imensa vaia fez dele um artista ainda maior

Em 1969, Jards Macalé participou do 4º Festival Internacional da Canção, apresentando sua canção “Gotham City”, parceria com o poeta José Carlos Capinam e com arranjos do maestro Rogério Duprat (só fera, os caras doTropicalismo!). 

A apresentação foi recebida com uma estrondosa vaia, tornando-se um dos eventos musicais brasileiros mais célebres do ano e dando a Macalé, que já era uma figura conhecida no meio musical, uma maior projeção graças a diversas entrevistas para jornais como O Pasquim.

7 – Dirigiu discos históricos de grandes intérpretes

Além de compor, tocar e cantar, Macalé também foi diretor musical de discos fundamentais da história da música popular brasileira, gravados por outros grandes artistas. O primeiro deles foi o álbum “Legal”, de Gal Costa, lançado em 1970.

Uma curiosidade é que o disco traz uma das primeiras – e únicas – composições de Gal, conhecida por seu uma grande intérprete: a canção “Love, Try and Die”, uma parceria da cantora com Jards Macalé e o guitarrista Lanny Gordin.

O álbum conta com mais duas composições de Macalé: o sucesso “Hotel das Estrelas” e “The Archaic Lonely Star Blues”, ambas em parceria com Duda Machado.

8 – Também foi diretor musical de “Transa”, de Caetano Veloso

Em 1971, Jards Macalé foi convidado por Caetano Veloso para ir a Londres – onde o baiano estava exilado desde 1969 por conta da dura perseguição sofrida pela ditadura militar – tocar, fazer arranjos e dirigir musicalmente o disco “Transa”, considerado um dos mais importantes da história da música brasileira e lançado em janeiro de 1972, quando Caetano voltou definitivamente ao Brasil.

O álbum antológico, além de contar com os arranjos de Macalé, também teve sua participação tocando guitarra na música “Nine Out Of Ten” – primeira música brasileira a tocar alguns compassos de reggae – e violão nas outras seis faixas.

9 – Seu primeiro LP nasceu em formato de power trio

Lançado em 1972, o álbum de estreia de Jards Macalé foi gravado com Lanny Gordin na guitarra e Tutty Moreno na bateria, formando um power trio ao lado do próprio Macalé no violão (Jards já tinha gravado “Transa” em Londres com os dois músicos).

Do repertório do álbum, saiuo imenso sucesso “Mal Secreto” – parceria com Waly Salomão, que mais tarde seria regravada por nomes como Gal Costa, Zezé MottaeFrejat– além de “Farrapo Humano”, sucesso deLuiz Melodia, lançada antes mesmo de Melô estrear sua carreira fonográfica (o que aconteceu no ano seguinte).

10 –  “Vapor Barato” foi criada em 15 minutos e virou hino de uma geração

A história de “Vapor Barato” – um dos maiores sucessos da história da MPB – se mistura com a história do Brasil dos anos de chumbo e com a trajetória de Gal Costa. 

A canção é uma parceria de Jards Macalé com Waly Salomão e nasceu de forma quase instantânea: Waly apareceu na casa de Macalé com a letra e disse “Vê se presta”. Prestava, e muito! Em cerca de 15 minutos, com o violão nas mãos, a música estava pronta.

Gravada no antológico álbum “Fa-Tal: Gal a Todo o Vapor”, registro ao vivo do show apresentado em 1971, “Vapor Barato” se tornou a grande transição do espetáculo: começava apenas com Gal ao violão e, de repente, a banda entrava, transformando a canção em catarse musical e política.

Feito ainda sob o peso da ditadura militar, três anos após o AI-5 e pouco depois do retorno do exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil, o disco consolidou Gal como porta-voz dos anseios tropicalistas e da contracultura brasileira. “Eu estou tão cansado” era mais do que verso: era rompimento, era exaustão coletiva, era resistência.

O título também carrega ambiguidade: “vapor” pode ser tanto o vapor da água – aquele vaporzinho que a gente vê na cachoeira, e “vapor” que é o cara que vende droga – ou o nome que se dava ao vendedor de droga. E “barato” pode ser tanto o efeito da droga quanto algo que não custa caro. 

A expressão remetia ainda à região da praia de Ipanema – às famosas “Dunas de Gal” – ponto de encontro da turma que buscava liberdade em meio à repressão.

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