O Centro de Memória às Vítimas da Violência de Estado (CMVV) e o Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social (Cais) Mães por Direitos, foi lançado nesta quarta-feira (4) pelo Governo Federal, em Santos. O equipamento, inédito no país, é voltado à preservação da memória, à promoção da verdade, à reparação e ao acolhimento de familiares atingidos pela letalidade estatal.
O Movimento Independente Mães de Maio é uma das organizações responsáveis pela implementação e gestão do espaço, junto da Iniciativa Negra. O equipamento integra uma política nacional de memória, prevenção e cuidado, e funcionará como referência para atendimento psicológico, jurídico e social a familiares de vítimas da violência de Estado.
O anúncio foi realizado durante agenda no Grêmio Recreativo Cultural Academia de Samba Unidos da Zona Noroeste, na Baixada Santista — território marcado por episódios emblemáticos de violência institucional.
Macaé Evaristo, ministra de Direitos Humanos e Cidadania, Marta Machado, titular da Secretária Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), Nathália Oliveira, socióloga e diretora executiva da Iniciativa Negra, e Débora Maria da Silva, líder do Movimento Independente Mães de Maio foram as responsáveis pelo anúncio.
O deputado estadual Eduardo Suplicy também esteve presente no encontro. O edifício que abrigará o centro passará por reforma para abertura ao público no segundo semestre de 2026.
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A atuação da Iniciativa Negra no projeto reforça seu compromisso histórico com a incidência política em direitos humanos e com a construção de alternativas às políticas de segurança baseadas na lógica da guerra às drogas. A organização participa da estruturação do espaço a partir de sua experiência acumulada na defesa da justiça racial e na produção de conhecimento sobre violência de Estado.
A fundadora do Movimento independente Mães de Maio, Débora Silva, se emocionou com o anúncio. “A memória é o futuro e não há democracia sem reparação histórica. Minha dor foi transformada em luta e nossa luta é por política pública. Estamos fazendo hoje, em nome da vida de quem se foi, de quem ficou e de quem virá”.
Nathalia Oliveira, socióloga e diretora executiva da Iniciativa Negra falou sobre as incoerências que motivaram a luta por uma nova política de drogas e de promoção da vida. “Não conseguimos entender como uma política pública que promove a morte e tantos traumas em famílias pretas e periféricas é feita em nome da saúde pública? A luta do Movimento Mães de Maio também é nossa, em prol da saúde e da sobrevivência das mães e famílias arrasadas pela violência estatal. Esse reconhecimento é o primeiro passo.
O CMVV atuará de forma articulada ao Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social (Cais) Mães por Direitos, ampliando o acesso a políticas públicas e fortalecendo a rede de cuidado e reparação às famílias atingidas.
A agenda contou com a apresentação de um vídeo com falas de mães integrantes do movimento Mães de Maio, e o projeto arquitetônico do Centro.
Depois das 16h30, ressoaram os tamborins na quadra da escola de samba com a apresentação dos integrantes da escola, e depois, o público curtiu a roda de samba comandada pela cantora Roberta Oliveira.



