Prestes a completar dez anos, caso da Chacina de Pioz segue sem desfecho na Justiça brasileira

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, no dia 3 de março de 2026, um recurso apresentado pela defesa de Marvin.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

O processo que investiga a possível participação do paraibano Marvin Henriques Correia no caso conhecido como Chacina de Pioz, na Espanha, ganhou um novo capítulo na Justiça brasileira justamente quando o crime se aproxima de completar dez anos.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, no dia 3 de março, um recurso apresentado pela defesa de Marvin. Os advogados tentavam reverter uma decisão do próprio STJ para que o processo fosse encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Com a negativa, o caso continua tramitando na Justiça brasileira.

Segundo o tribunal, o tipo de recurso apresentado pela defesa exigiria uma nova análise de fatos e provas já avaliados por instâncias anteriores, o que não pode ser feito pelo STF, que se limita a analisar questões constitucionais.

Defesa diz confiar na absolvição

Em nota, a defesa de Marvin afirmou que aguardará o retorno do processo à primeira instância para apresentar novos argumentos e reafirmou confiar que a Justiça brasileira reconhecerá que o acusado não tem responsabilidade jurídico-criminal no caso.

Caso foi reaberto após absolvição

Marvin Henriques chegou a ser preso em João Pessoa em outubro de 2016, apontado como possível incentivador do crime ocorrido na Espanha. Ele permaneceu detido por pouco mais de um mês e passou a responder ao processo em liberdade provisória.

Em 2021, a Justiça da Paraíba decidiu pela absolvição sumária do acusado, entendendo que ele não teria cometido crime previsto no Código Penal brasileiro.

No entanto, o Ministério Público da Paraíba recorreu da decisão. Em fevereiro de 2023, o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) analisou o recurso e decidiu reabrir o processo, considerando que existiam indícios de que Marvin teria incentivado o autor dos assassinatos.

Desde então, o caso segue em andamento na Justiça.

Crime chocou Brasil e Espanha

A Chacina de Pioz ocorreu em 17 de agosto de 2016, na cidade de Pioz, na Espanha, e chocou a comunidade internacional. As vítimas foram o paraibano Marcos Campos Nogueira, a esposa Janaína Santos Américo e os dois filhos pequenos do casal.

O autor do crime foi identificado como Patrick Nogueira, sobrinho de Marcos, que foi condenado pela Justiça espanhola.

Durante as investigações, foram encontradas mensagens trocadas entre Patrick e Marvin Henriques. Em alguns trechos, Marvin reage ao relato dos assassinatos com risadas e chega a orientar o amigo sobre como sair do local sem levantar suspeitas.

Essas conversas foram usadas pelo Ministério Público como base para sustentar que ele teria incentivado o crime.

Dez anos depois, caso ainda sem definição

A nova decisão do STJ mostra que, às vésperas de completar uma década, o caso da Chacina de Pioz ainda não teve um desfecho definitivo no Brasil.

Enquanto o autor do crime já foi condenado na Espanha, a discussão sobre a possível participação de Marvin Henriques segue sendo analisada pela Justiça brasileira, quase dez anos após o assassinato da família paraibana.

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