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Carreira no auge, e a maternidade? Médicas defendem planejamento sem culpa

Para mulheres no topo da carreira, o planejamento reprodutivo tem deixado de ser assunto privado e ganhado espaço na agenda estratégica. É o que defendem as ginecologistas Ana Carolina Massarotto e Isabela Simionatto, ao enfatizar que informação e tempo precisam entrar na conta das escolhas sobre ter ou não filhos. “O relógio biológico não acompanha promoções, metas batidas ou agendas cheias”, afirmam.

Relógio biológico não segue a planilha

As médicas ressaltam que biologia e carreira correm em ritmos diferentes — e que ignorar esse descompasso traz custos. “O relógio biológico é implacável. Ele não pode ser culpado, nem romantizado. Ele simplesmente existe.”

Elas relatam vivências pessoais opostas que chegam ao mesmo aprendizado: é preciso decidir com consciência. Uma delas chegou aos 42 anos sem priorizar a maternidade e, quando o desejo apareceu, vieram diagnósticos como menopausa precoce e endometriose. A síntese é direta: “talvez a decisão de não pensar sobre fertilidade antes, mesmo tendo acesso à informação e aos recursos, merecesse ter sido feita com mais consciência.”

Na outra ponta, o receio de perder a janela fértil após uma perda levou à decisão pela maternidade — e à constatação de que a busca por equilíbrio perfeito é ilusória. “não existe equilíbrio perfeito entre carreira e maternidade. Existem fases. Em algumas, os filhos exigem mais. Em outras, o trabalho ocupa quase tudo.” Para elas, aceitar essa imperfeição ajuda a reduzir culpas e expectativas irreais.

Foto: Divulgação.

Planejar é ampliar escolhas, não impor pressa

As especialistas reforçam que todas as escolhas são legítimas — adiar, ter cedo ou não ter filhos — desde que feitas com informação. “Adiar é uma escolha legítima. Ter filhos cedo também. Não ter filhos, igualmente. Mas ignorar o impacto do tempo sobre a fertilidade não é liberdade, é falta de informação aplicada à própria vida.”

Nesse contexto, discutir opções como congelamento de óvulos e manter acompanhamento ginecológico personalizado é visto como cuidado, não como alarme. “falar sobre congelamento de óvulos, planejamento reprodutivo e acompanhamento ginecológico individualizado não é alarmismo, é cuidado e liberdade para escrever a própria história sem arrependimentos.”

Para Massarotto e Simionatto, o objetivo não é pressionar, e sim abrir espaço para decisões conscientes. No fim, dizem, “autonomia verdadeira é decidir com consciência e não descobrir tarde demais que a decisão já foi tomada pelo tempo.”

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